Publicado 08/11/2025 18:33

EUA consideram a possibilidade de designar os dois maiores cartéis do Brasil como organizações terroristas

Archivo - Arquivo - 16 de abril de 2021, São Paulo, SP, Brasil: VINICIUS HENRIQUE SILVA DE OLIVEIRA, um dos principais e mais perigosos membros do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das principais organizações criminosas brasileiras que atuam no Brasi
Europa Press/Contacto/Marcelo Chello - Arquivo

O Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho se tornam o novo alvo da guerra da Casa Branca contra as drogas MADRI 8 nov. (EUROPA PRESS) -

Os Estados Unidos já estão contemplando abertamente a designação dos dois maiores cartéis de drogas do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, como organizações terroristas, de acordo com o promotor especial Lincoln Gakiya e confirmado à Bloomberg por fontes da administração americana.

Gakiya, promotor do Gaeco (unidade especial do estado de São Paulo contra o crime organizado), indicou que Washington começaria primeiro com o PCC, a maior organização criminosa do país, nascida na prisão de Taubaté, em São Paulo, antes de provavelmente estender a designação ao Comando Vermelho, a organização criminosa sediada no Rio de Janeiro, alvo de uma sangrenta operação policial no início deste mês que deixou mais de 120 pessoas mortas.

"A partir do momento em que os EUA fazem essa classificação, eles entendem que essas são organizações que representam um risco para a soberania dos EUA", explicou Gakiya em uma entrevista no contexto das operações que os militares norte-americanos estão realizando, em meio a críticas de ONGs sobre sua brutalidade, "na região do Caribe, na Venezuela e em outras partes do mundo".

Uma autoridade sênior dos EUA, que pediu anonimato porque a informação é confidencial, confirmou que o governo Trump provavelmente aplicará a designação a ambos os grupos, mas ainda não tomou uma decisão final. O Departamento de Estado dos EUA não comentou.

No início deste ano, os EUA designaram vários cartéis de drogas - incluindo o Tren de Aragua, da Venezuela, e o MS-13, de El Salvador - como organizações terroristas estrangeiras, uma medida que amplia a capacidade de Washington de impor sanções, compartilhar inteligência e empregar recursos adicionais.

"O Trem de Aragua é menos poderoso do que o PCC em termos de membros e recursos financeiros", disse Gakiya, 58 anos, que passou as duas últimas décadas pesquisando a ascensão do PCC, de uma gangue de presos de São Paulo ao maior cartel de drogas da América do Sul.

O governo do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou pedidos anteriores da administração Trump para rotular as organizações criminosas brasileiras como terroristas, argumentando que sua motivação é o dinheiro, não a ideologia. O Congresso brasileiro está atualmente debatendo um projeto de lei que propõe a classificação de grupos criminosos como organizações terroristas, pressionando o presidente.

Gakiya criticou a proposta brasileira, dizendo que ela não teria impacto sobre as decisões dos EUA e pouco ajudaria os esforços do Brasil para investigar e desmantelar grupos criminosos. A medida não tem como alvo suas redes financeiras ou não fornece as ferramentas de aplicação da lei necessárias para restringir suas operações, disse ele.

Em vez disso, Gakiya expressou sua teoria de que esses grupos deveriam ser classificados como organizações do tipo mafioso no Brasil, uma vez que suas ações são motivadas pelo lucro e não por motivos religiosos, políticos ou étnicos, como geralmente acontece com grupos terroristas.

"Esses grupos criminosos têm as características típicas das máfias", disse ele. "Eles buscam o controle territorial, se infiltram em instituições estatais e corrompem funcionários públicos", acrescentou.

REPRESSÃO NO RIO

O debate no Brasil sobre como combater os traficantes de drogas se intensificou na última semana após uma brutal repressão policial no Rio.

A operação de 28 de outubro, supervisionada pelo governador de direita do estado do Rio, Claudio Castro, teve como alvo os líderes do Comando Vermelho, que se espalhou das favelas dos morros da cidade para grandes partes do Brasil nos últimos anos. Nos bairros densamente povoados do Rio, houve tiroteios com policiais fortemente armados, o que acabou elevando o número de mortos a três dígitos.

Embora algumas autoridades eleitas de direita e algumas pesquisas de opinião pública tenham demonstrado apoio à ação policial, apesar do derramamento de sangue, Gakiya disse que considerava a operação um fracasso. "É inaceitável que haja mortes, mesmo em uma área dominada pelo crime organizado", disse ele. "Nenhuma morte é bem-vinda, nem a de um criminoso, muito menos a de um policial", acrescentou.

Gakiya comparou os confrontos no Rio com a Operação Carbono Oculto deste ano, a maior operação contra o crime organizado no Brasil. Sem causar uma única morte, a operação desmantelou uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC que lavou pelo menos 52 bilhões de reais (cerca de 9,5 bilhões de euros) em produtos ilícitos.

"Precisamos planejar essas incursões cuidadosamente para evitar qualquer perda de vidas. Nosso objetivo deve ser recapturar e reconquistar esses territórios", concluiu Gakiya.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contenido patrocinado