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MADRID 29 jun. (EUROPA PRESS) -
O governo da Estônia descartou pedir à Ucrânia que limite ou cesse os ataques de longo alcance contra a Rússia, apesar de isso ter resultado, nos últimos tempos, em inúmeros incidentes na fronteira, com drones ucranianos caindo no lado estoniano, incluindo um que foi abatido por um caça da OTAN.
O ministro das Relações Exteriores da Estônia, Margus Tsahkna, reconheceu em entrevista ao “Financial Times” que não estão satisfeitos com essa situação, mas que, ao mesmo tempo, não podem pedir à Ucrânia que suspenda seus ataques contra instalações energéticas russas, pois isso está prejudicando recursos vitais de Moscou.
Tsahkna explicou que “nos últimos dois meses” a situação mudou na Rússia e observou que o presidente russo, Vladimir Putin, “já não está tão otimista”, e “a principal razão é econômica”, devido a esses ataques de longa distância.
Uma avaliação que coincide com o último reconhecimento de Putin sobre a falta de abastecimento. Esses ataques ucranianos contra refinarias e outros centros industriais afetaram as exportações pelo Mar Báltico, que representam 60% das exportações de petróleo russo pelo Golfo da Finlândia.
A Rússia vem denunciando o envolvimento cada vez mais direto desses países da região, permitindo que a Ucrânia utilize seus territórios para lançar seus ataques — acusações que Tsahkna classificou como “absurdas”.
O aumento desses ataques também resultou em incidentes cada vez mais frequentes envolvendo drones ucranianos no espaço aéreo do Báltico e da Finlândia. Na Letônia, a questão chegou a tal ponto que custou o cargo ao ministro da Defesa, gerando uma crise de governo que resultou na renúncia da primeira-ministra, Evika Silina.
Na Estônia, há algumas semanas, um caça romeno que participa da missão de vigilância aérea da região liderada pela OTAN abateu um desses aparelhos perto de Kablakula, enquanto na Lituânia isso levou o governo a reforçar as medidas de segurança e fez com que algumas autoridades de alto escalão tivessem que buscar refúgio.
QUESTIONA AS “DESACERTADAS” TENTATIVAS EUROPEIAS DE DIÁLOGO COM PUTIN
Por outro lado, o ministro das Relações Exteriores da Estônia questionou a eficácia das primeiras tentativas europeias de estabelecer um diálogo com a Rússia. Para Tsahkna, elas foram, no mínimo, “infelizes”, razão pela qual ele alertou sobre o interesse de Putin em ganhar tempo e dividi-los enquanto a guerra continua.
“Putin vem tentando há um mês envolver a Europa nas negociações. Ele faz isso para ganhar tempo e nos dividir. Antes que a Europa decida quem deve nos representar, precisamos primeiro chegar a um acordo sobre a essência da mensagem e, só então, discutir quem a transmitirá”, avaliou.
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