Jesús Hellín - Europa Press
MADRID, 28 ago. (EUROPA PRESS) -
A porta-voz do Grupo Popular no Congresso, Ester Muñoz, destacou hoje que o apoio que o governo demonstra continuamente à atuação de Marrocos na crise de Ceuta pode estar relacionado às informações que o Executivo possui sobre o país vizinho após o ataque cibernético aos celulares do presidente do governo, Pedro Sánchez, e dos ministros da Defesa e do Interior, Margarita Robles e Fernando Grande Marlaska.
Foi o que denunciou hoje a líder do Partido Popular durante uma entrevista na Tele 5, na qual questionou retoricamente até que ponto o governo está sujeito a Marrocos e se isso tem a ver “com as informações que eles possuem após o ataque cibernético aos celulares do governo”.
Para Muñoz, o interesse demonstrado pelo Executivo em isentar Marrocos da responsabilidade pela entrada de 80.000 pessoas em Ceuta é um “insulto à inteligência dos espanhóis”. “Todos sabemos que o que aconteceu em 30 de julho não foram 70 mil, 80 mil pessoas que, de repente, por meio das redes sociais, combinaram de entrar na Espanha”, exclamou ela.
E é exatamente isso, acrescentou a porta-voz do Grupo Popular, que o PP está questionando ao governo, depois que, também hoje, o ministro do Interior, Fernando Grande Marlaska, voltou a elogiar Marrocos e a agradecer sua colaboração para resolver a crise migratória em Ceuta.
O ministro do Interior também destacou que estimam que cerca de 5.000 marroquinos ainda permaneçam na cidade autônoma, diante do que Ester Muñoz criticou que o Executivo não saiba, um mês após a “invasão”, o número exato “porque não quer”, já que dispõe dos meios para sabê-lo e não os utilizou. “Eles têm todas as ferramentas. Não pode ser que, um mês depois, ainda não saibam”, retrucou.
De fato, a porta-voz do Partido Popular culpou o governo de tentar criar uma narrativa “na qual ninguém acredita” e agora, segundo ela, a última coisa que estão tentando fazer é buscar culpados, culpando os ceutianos ao chamá-los de “radicais e nazistas” em vez de “fazer autocrítica”. Por isso, ela acredita que é “normal” que os moradores de Ceuta se sintam “abandonados” depois que sua cidade foi “tomada”.
O VANDALISMO INSTITUCIONAL É SAIR DE FÉRIAS
Muñoz também respondeu ao ministro da Indústria, Arcadi España, que acusou o PP de “vandalismo institucional”. Na opinião dele, o vandalismo institucional é “ter todos os recursos do Estado, sair de férias e não resolver o problema”.
Agora, observou ele, o Executivo volta das férias e “cumpra a todos de culpados”. Dito isso, ele explicou que, quando se vive em sociedade, os cidadãos assumem que o uso da “força controlada cabe ao Estado” e que “a justiça é impartida pelo Estado em nome dos cidadãos”.
Isso, argumentou ele, faz com que os cidadãos não tomem a justiça nas próprias mãos nem recorram à violência para se defender. O problema, alertou ele, é que Ceuta, por muitos anos, “sentiu que o Estado não está presente” e culpou o governo por isso, pois “não exerceu suas funções e responsabilidades”.
DESDE 2021, O GOVERNO RECEBEU TRÊS RELATÓRIOS ALERTANDO-O
A líder do Partido Popular enquadra o apoio da Moncloa a Marlaska, diante da afirmação de Margarita Robles de que o CNI informou com antecedência sobre a “invasão”, na narrativa que o governo está tentando criar de “não ter responsabilidade”.
No entanto, ela alertou que “todos os espanhóis” estão cientes de que o Executivo de Pedro Sánchez possuía as informações e, além disso, destacou que, desde 2021, três relatórios alertavam que poderia ocorrer o que aconteceu em 30 de julho em Ceuta. De fato, ela lembra que Sánchez prometeu que algo como a invasão de crianças ocorrida na cidade autônoma não voltaria a acontecer e que era necessário ter um plano estratégico de segurança para Ceuta e Melilla. Mas denuncia que, cinco anos depois, o governo não o fez.
CLM, PAÍS BASCO, CATALUNHA E BRUXELAS EXIGEM A REPATRIÇÃO DE MENORES
Quanto à possibilidade, como afirma a ministra da Infância, Sira Rego, de que a maioria dos menores não possa ser repatriada para o Marrocos, Ester Muñoz, após esclarecer que o interesse do menor é estar com seus pais ou em seu país de origem, lembrou que não apenas as Comunidades Autônomas governadas pelo PP solicitam o retorno, mas também Castela-La Mancha, a Catalunha, o País Basco e Bruxelas.
Dito isso, ela exigiu que sejam aplicados os acordos que a Espanha mantém com o Marrocos e solicitou que sejam disponibilizados mais recursos e capacidade para agilizar esses trâmites, já que os processos devem ser tratados individualmente.
Além disso, ele lembrou, ironicamente, que, se é verdade que Marrocos está colaborando e é um país confiável, os acordos recíprocos devem ser aplicados.
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