Iñaki Berasaluce - Europa Press
Afirma que o PNV não está considerando uma moção de censura e pede que Sánchez reflita, pois “mais coisas vão acontecer”
BILBAO, 28 maio (EUROPA PRESS) -
O presidente do EBB do PNV, Aitor Esteban, mostrou-se convencido de que a legislatura nacional “chegou ao fim” e dirigiu-se ao presidente do Governo, Pedro Sánchez, para afirmar que “o interesse geral exige eleições este ano”. Além disso, reiterou que seu partido não está considerando uma moção de censura e pediu uma reflexão ao chefe do Executivo porque “muitas coisas aconteceram esta semana”, mas “mais coisas vão acontecer”.
Esteban fez essas declarações antes de participar, na sede da Fundação Sabino Arana, em Bilbao, do seminário “Made in Europe: autonomia estratégica e competitividade industrial para o País Basco”, que contou também com a participação de Oihane Agirregoitia, eurodeputada.
O líder do PNV considerou que o foco sobre a continuidade da legislatura não deve recair sobre os partidos que apoiaram a investidura, como tem acontecido ultimamente, mas sim “sobre o presidente e sobre a responsabilidade que este tem na hora de garantir a governabilidade adequada das instituições”.
Em sua opinião, “o certo” é que se vive “uma situação que não é nada adequada para a governabilidade, nem para o interesse geral”, porque não há orçamentos “nem possibilidades de que estes sejam aprovados, com uma legislatura absolutamente bloqueada, pois não há realmente uma atividade efetiva na Câmara, não há possibilidades de maioria, com um ambiente político” como o que se vive e com cada vez mais processos judiciais.
Após referir-se à entrada, na última quarta-feira, da UCO na sede do PSOE em Madri, ele considerou que isso será contínuo, “porque a própria dinâmica dos processos judiciais faz com que estes se mantenham por algum tempo”.
Além disso, referiu-se às declarações feitas ontem em Roma por Pedro Sánchez de que não pode dissolver as câmaras e convocar eleições “por um interesse partidário, pois deve agir em nome do interesse geral”.
CONVOCAÇÃO DE ELEIÇÕES EM 2026
“Na opinião do PNV, o que o interesse geral exige nesta situação é a convocação de eleições este ano, porque talvez ele também devesse se perguntar se, ao se recusar repetidamente a refletir sobre isso, não está também agindo a partir de um interesse partidário e particular”, acrescentou.
“Por todas as circunstâncias que se apresentam”, Aitor Esteban acredita que “a legislatura chegou ao fim, e assim deveria ser”. “Mas quem tem a responsabilidade de tomar as decisões, dadas estas circunstâncias, é o próprio presidente. Não adianta dizer que a Constituição estabelece que uma legislatura dura quatro anos”, assinalou, aludindo às palavras de Sánchez para justificar a prorrogação de seu mandato.
Nesse sentido, ele lembrou que o artigo 115 da Constituição "também diz que o presidente do Governo tem a faculdade, o poder de dissolver as câmaras, e não será a primeira vez que isso é feito". "Acho que é preciso refletir sobre qual é a situação e cabe a ele dar esse passo", afirmou.
Esteban advertiu que não se pode pensar “que vai chegar o verão, temos uma Copa do Mundo, as circunstâncias vão mudar a partir de setembro, etc.” “Não, isso não leva a lugar nenhum. Parece-me que, a partir de uma análise objetiva e imparcial da situação, o que se impõe — e é isso que o PNV está dizendo a ele — é que este ano seja o da dissolução das câmaras. Cabe a ele fazê-lo”, insistiu.
NÃO À MOÇÃO DE CENSURA
O presidente do EBB reiterou que não está em discussão no PNV uma moção de censura e que o partido não a contempla. “Acreditamos que o que é preciso é agir com responsabilidade por parte de todos, e sobretudo por parte de quem detém a máxima responsabilidade institucional no Estado, que é o presidente”, indicou.
Conforme ele lembrou, isso não é dito apenas pelo seu partido, mas há “mais vozes” que o reivindicam. “Acredito que estamos dizendo isso nós, que sempre apostamos na governabilidade e em tentar ajudar a estabilidade das instituições, mas agir como a avestruz ou fechar os olhos e fingir que nada está acontecendo, sinceramente, não me parece o mais responsável”, advertiu.
Caso não haja antecipação das eleições, ele ressaltou que “dia após dia estão acontecendo coisas no ambiente político e parlamentar”. “Vamos ver o que vai acontecendo e como a linguagem política e as posições de cada partido vão evoluindo. Além disso, também não sabemos como vai evoluir todo esse plano judicial”, observou.
O líder do PNV disse que na última semana “aconteceram muitas coisas”, mas “vão acontecer mais”. “Vamos ver como tudo isso se desenrola. O que nós pretendemos fazer é traçar um panorama realista do que está a acontecer e do que seria responsável em termos institucionais. Mas, a partir daí, vamos ver como tudo isso se desenrola”, destacou.
Questionado sobre o que acharia se se confirmasse que o PSOE criou ‘uma cloaca’ para atacar juízes, promotores e a Guarda Civil, ele respondeu que, não apenas ele, mas todo mundo consideraria isso “inaceitável”. “É uma pergunta de resposta simples, caso tudo isso se confirme”, concluiu.
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