Publicado 03/08/2025 06:23

O Estado Islâmico usou a IA para propaganda após matar turistas espanhóis: "A tradução para o espanhol é comum".

Archivo - Arquivo - Membros armados do Talibã no Afeganistão
SAIFURAHMAN SAFI / NOTICIAS XINHUA / CONTACTOPHOTO

MADRID 3 ago. (EUROPA PRESS) -

O "Balanço do terrorismo na Espanha 2024" do Centro de Memória das Vítimas do Terrorismo se concentrou no uso da Inteligência Artificial (IA) pelo Estado Islâmico (Daesh) para sua "intensa campanha de propaganda" após o ataque em Bamiyan (Afeganistão), no qual quatro turistas espanhóis foram mortos.

"A disseminação de conteúdo jihadista traduzido para o espanhol é agora uma prática comum, quase normalizada, por parte do Daesh. Este grupo tem várias estruturas dedicadas a esta atividade, sendo a mais comum a chamada Voz de Al Andalus, que está acostumada a traduzir comunicados de atividades jihadistas para o espanhol e divulgá-los", explicam os analistas do Centro de Memória no relatório 2024, consultado pela Europa Press.

O Centro de Memória das Vítimas do Terrorismo se concentra no ataque no centro do Afeganistão, em maio de 2024, que deixou vítimas espanholas mortas. "O grupo jihadista divulgou comunicados, publicou revistas, fez vários vídeos, infográficos e um podcast sobre o ataque", lembram, destacando que os terroristas queriam "questionar a capacidade do governo talibã de fornecer segurança em seu próprio território".

Nesse ponto, destacam que o ramo centro-asiático do Daesh, o Estado Islâmico de Khorasan (ISKP), "utilizou pela primeira vez a inteligência artificial (IA) para recriar um suposto noticiário de televisão - em língua pachto - dedicado à ação terrorista" dirigida contra turistas da Espanha, Lituânia, Austrália e Noruega, matando os quatro espanhóis e três afegãos quando foram metralhados em um mercado na cidade de Bamiyan.

"O ataque segue as diretrizes da liderança do Estado Islâmico para atingir os cidadãos dos países da coalizão onde quer que estejam", alertou o ramo do Estado Islâmico na declaração que divulgou dois dias depois nos canais do Telegram.

Pouco tempo depois, a Al Battar Media Foundation, entidade considerada mídia não oficial do Daesh e que divulga áudios e vídeos no Blogspot, divulgou um primeiro vídeo de quase dois minutos sobre o ataque aos turistas internacionais, seguido de propaganda na revista semanal An-Nabaa ameaçando os interesses da "coalizão de cruzados envolvida na luta contra o Estado Islâmico".

A Al Azaim Media Foundation, considerada pela UE como o braço midiático do ISKP, produziu um vídeo de meia hora sobre o ataque, que também incluía apelos para que possíveis agentes solitários realizassem ataques em países ocidentais.

AMEAÇAS EXPLÍCITAS CONTRA A POLÍCIA

Com relação a isso, o Centro de Memória das Vítimas se concentra no uso do espanhol. "Algumas ameaças divulgadas no ano passado contra a Espanha foram disseminadas precisamente em espanhol, como uma campanha divulgada em junho por um simpatizante do Daesh que disseminou uma fotografia de um pôster do Daesh colocado na porta de uma casa que supostamente pertencia a um policial nacional".

"A campanha incluía uma convocação para afixar cartazes e tirar fotos em locais públicos, em veículos, inclusive carros de polícia, para depois divulgá-los nas redes", lembraram.

O Centro de Memória destaca a "operação Almuasasa", realizada na Espanha em junho de 2024, pois evidenciou o interesse que o Daesh atribui à propaganda. Nessa operação, foi desmantelada uma célula composta por sete pessoas, acusadas de traduzir para o espanhol conteúdos produzidos pelo Estado Islâmico para posterior divulgação por uma das filiais de mídia do grupo terrorista.

A operação também possibilitou a intervenção nos servidores que hospedavam a propaganda, atingindo uma célula ligada à Fundação ÍLAM, criada há quatro anos para traduzir mensagens e divulgá-las no maior número possível de idiomas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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