Fernando Sánchez - Europa Press - Arquivo
MADRID 3 abr. (EUROPA PRESS) -
A esquerda alternativa nacional evitou o cenário de divisão eleitoral na Andaluzia por meio de um acordo de união (que retoma a marca “Por Andaluzia”) no último dia do prazo para o registro de coalizões para as eleições de 17 de maio.
Este pacto implica que os “roxos” voltam a integrar-se numa lista eleitoral com o Movimiento Sumar, o partido criado pela segunda vice-presidente Yolanda Díaz, após a ruptura entre ambos no final de 2023.
Além disso, superam-se as tensões entre o Podemos e a IU que haviam prevalecido nas eleições regionais deste ciclo eleitoral, com exceção da Extremadura.
Esse acordo elimina o risco de fragmentação total devido à possibilidade de três candidaturas à esquerda do PSOE, embora não haja unidade total, já que o Adelante Andalucía concorre a essas eleições com candidatura própria.
Com uma negociação “in extremis”, essas formações selaram uma aliança para compartilhar novamente a candidatura no último dia do prazo e após negociações intensas ao longo de toda a quinta-feira.
No entanto, os prazos não foram forçados ao extremo como ocorreu há quatro anos, com uma negociação tumultuada até a meia-noite que deixou o Podemos fora do registro formal, e se repete uma ampla confluência na Andaluzia que é considerada o germe da frente ampla que se constituiu em torno do Sumar.
MUDANÇA DO PODEMOS
Os “roxos” iniciam uma mudança em seu plano estratégico traçado após a ruptura com o projeto de Díaz, no qual priorizaram seu projeto autônomo e sua marca, classificando o Sumar como um projeto subordinado ao PSOE.
Isso levou a que, a partir de 2024, em todas as eleições, o partido competisse com o Sumar e seus aliados, ficando em um contexto de queda no apoio de toda a esquerda em relação a esse espaço em termos eleitorais e posicionando-se como força extraparlamentar no País Basco, Aragão, Castela e Leão, além da decisão de não concorrer nas eleições catalãs.
A única exceção foi a Extremadura, onde se confirmou a aliança entre Podemos e IU, sem o Sumar, e que obteve um bom resultado ao conquistar sete cadeiras, três a mais.
No entanto, o partido liderado por Ione Belarra sofreu reveses eleitorais consecutivos em Aragão e Castela e Leão, onde fracassaram as negociações com a IU, que pactuou candidaturas com o Sumar, o que resultou em duas derrotas eleitorais, enquanto a IU salvou a pele em Aragão ao conservar seu único assento.
LISTA LIDERADA PELA IU
Depois de se manter em uma posição ambígua sobre a Andaluzia e defender que seu método era o da Extremadura, com alianças lideradas pelo Podemos, nas últimas duas semanas os “morados” se abriram para voltar a concorrer com o Sumar e a IU, que volta a liderar a candidatura Por Andaluzia com seu coordenador federal, Antonio Maíllo, como cabeça de chapa eleitoral.
Fontes desse espaço político vinham indicando que o Podemos precisava entrar em um acordo para se manter nessa coalizão, já que não podia se arriscar a desaparecer novamente em eleições automáticas. E em uma comunidade tão importante como a Andaluzia.
Também observavam que a direção regional do Podemos era mais favorável ao acordo, enquanto a cúpula nacional se mostrava mais reticente, embora tenha ressaltado que, na política de alianças, o protagonismo caberia ao partido em nível andaluz.
Por sua vez, a IU alcança o objetivo de consolidar uma unidade eleitoral e evita a dispersão de votos em eleições cruciais, nas quais seu líder é avaliado e em um território onde aspira crescer, com o desafio de mudar o ânimo eleitoral da esquerda de cara às eleições gerais.
MOVIMENTOS ESTADUAIS
Tudo isso em um contexto em que a IU, Más Madrid, Comunes e Movimiento Sumar renovaram sua aliança eleitoral para as eleições gerais, enquanto o Podemos volta a colocar como referência eleitoral a ex-ministra Irene Montero, que já foi cabeça de chapa nas eleições europeias.
Justamente Montero protagonizará, ao lado do porta-voz do ERC no Congresso, Gabriel Rufián, um evento sobre o futuro da esquerda no próximo dia 9 de abril, em Barcelona.
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