Joaquín Corchero - Europa Press
MADRID, 30 mar. (EUROPA PRESS) -
A esquerda alternativa enfrenta uma semana decisiva para esclarecer se nas eleições andaluzas haverá novamente uma divisão eleitoral, como já ocorreu em Aragão e Castela e Leão, ou se se abre a porta para uma negociação de última hora para que Podemos e IU voltem a concorrer juntos na coalizão “Por Andaluzia”.
Na próxima sexta-feira, 3 de abril, encerra-se o prazo para o registro de coalizões, em um clima de distanciamento entre as duas formações semelhante ao que ocorreu há quatro anos, quando o Podemos e a IU levaram as negociações ao limite e os “roxos” ficaram até mesmo fora do registro oficial dessa coalizão.
Diversas fontes dos partidos envolvidos destacam que entram nessa semana sem novidades e que a possibilidade de o Podemos e a IU concorrerem juntos continua sendo muito difícil. No entanto, outras vozes afirmam que há conversas em andamento, em diferentes níveis e por parte de múltiplos atores, para explorar se ainda há opções de alianças, embora se recusem a classificá-las como negociações formais.
Além disso, há os precedentes das eleições em Aragão e Castela e Leão, onde houve contatos para explorar uma candidatura conjunta, aproveitando os prazos finais de registro de coalizões, que acabaram fracassando.
O que está claro para todos os atores é que o Adelante Andalucía terá candidatura própria nas eleições de 17 de maio, como já explicou, deixando claro também sua recusa em entrar em um possível governo com o PSOE, em contraposição ao que aspira o 'Por Andalucía'.
Nesse sentido, acrescentam que a opção de convergência com o Adelante não entrava na equação e era inviável, dado que ainda pesam os conflitos que tanto a IU quanto o Podemos mantiveram com a ex-líder dos Anticapitalistas, Teresa Rodríguez, que chegou a ser expulsa do grupo parlamentar que as três formações compartilharam na legislatura de 2019-2022.
Assim, a incógnita que ainda resta resolver é se, no final, o Podemos concorrerá novamente ao lado da IU na coalizão Por Andalucía, que, por enquanto, também reúne o Movimiento Sumar e a Iniciativa del Pueblo Andaluz. Até o momento, a tendência entre as duas formações tem sido a competição eleitoral a partir de 2024, com exceção das eleições na Extremadura, quando fizeram parte da mesma lista (Unidas por Extremadura).
IU: O PODEMOS TEM TUDO A SEU FAVOR PARA CONTINUAR NA 'POR ANDALUCÍA'
O candidato dessa coalizão e líder da IU, Antonio Maíllo, reiterou durante esta semana que a opção pela unidade está nas mãos do Podemos, que tem tudo a seu favor para não sair desse espaço de confluência concretizado no atual grupo parlamentar regional.
De qualquer forma, ele apelou para que não se fizesse “também um drama” dessa presença ou não do Podemos Andaluzia. “Isso tem uma solução fácil: se ninguém sair, seguimos em frente”, expôs em um evento em Granada na última sexta-feira.
O Podemos destacou que, em matéria de alianças, é a sua direção regional que carrega o peso e que conta com o seu apoio. De qualquer forma, durante esta semana, o partido demonstrou certa ambivalência ao sinalizar que deseja candidaturas o mais amplas possível, como expôs sua secretária-geral, Ione Belarra, mas que segue o modelo de sua formação na Extremadura, onde concorreu com a IU, mas sem o Sumar.
PODEMOS DEMONSTRA OTIMISMO
Nesta sexta-feira, o secretário de Organização e coportavo do Podemos, Pablo Fernández, afirmou que seu partido deseja uma candidatura forte e o mais heterogênea possível, mostrando-se otimista a esse respeito. Diante da imprensa, ele comentou que o Adelante deixou bem claro que não queria acordos, dando a entender implicitamente que a única possibilidade real de negociar uma lista conjunta seria com a IU e a coalizão Por Andalucía.
Nos últimos dias, ocorreram ligações e conversas entre ambos os partidos, segundo fontes a par desses contatos, que especificam que, embora não se possa falar de uma negociação social, acreditam que seja um gesto positivo que dá certa esperança de revalidar essa coalizão com seus principais atores.
Também apontam que há mensagens da sociedade civil que apelam à unidade e acrescentam que o Podemos tem muito em jogo nessas eleições, tanto a nível regional quanto nacional, após os reveses em Aragão e Castela e Leão.
CENÁRIO COMPLICADO
No entanto, outras fontes das organizações de Por Andalucía afirmam que um pacto com o Podemos é muito complicado e que, apesar de terem estendido a mão, acreditam que, no final, o cenário será de fragmentação em até três candidaturas à esquerda do PSOE.
De qualquer forma, defendem que esta candidatura é o espaço de referência da esquerda andaluza, contam com um candidato forte e vêm preparando essas eleições há algum tempo, deixando para trás as questões internas. Embora também reconheçam que há a pressão de obter um bom resultado na Andaluzia, que sirva de estímulo para revitalizar o ânimo da esquerda.
No entanto, há também um setor que desconfia de que haja uma vontade real de aproximação por parte do Podemos e acredita que se trata mais de barulho do que de realidade. E é que essas vozes enfatizam que os “roxos” deram sinais, ao longo de todo este ciclo eleitoral, de apostar em seguir por conta própria, apesar de já ter ficado demonstrado que isso foi um erro estratégico que também corre o risco de prejudicar sua principal referência eleitoral, a ex-ministra Irene Montero.
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