Publicado 29/06/2026 08:33

De la Espriella propõe encaminhar aos EUA as supostas irregularidades nas negociações com o Clã do Golfo

27 de junho de 2026, Ipiales, Nariño, Colômbia: O presidente eleito da Colômbia, Abelardo De la Espriella, visita o Santuário de Las Lajas para agradecer à Nossa Senhora de Las Lajas após sua vitória nas eleições presidenciais de 2026, em Ipiales, Nariño,
Europa Press/Contacto/Camilo Erasso

MADRID 29 jun. (EUROPA PRESS) -

O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, propôs encaminhar ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos as recentes informações sobre as supostas irregularidades cometidas por altos funcionários do atual governo, relacionadas às negociações de paz com o Clã do Golfo.

A proposta apresentada por De la Espriella inclui, além disso, as denúncias pertinentes contra os altos funcionários apontados, entre eles o ex-alto comissário para a Paz, Danilo Rueda, como parte do processo de transição, que ele confiou ao seu futuro vice-presidente, José Manuel Restrepo.

Para De la Espriella, as recentes informações que vêm surgindo na imprensa sobre as concessões que o atual governo teria feito ao grupo paramilitar — entre elas, a suspensão das operações e a redução do número de efetivos das forças de segurança nas áreas onde atuam — são da “maior gravidade”.

“Exigem uma resposta jurídica imediata, rigorosa e em conformidade com o Estado de Direito”, afirmou em um comunicado o futuro presidente colombiano, que inclui os Estados Unidos nessa questão devido à possibilidade de que esses fatos “possam envolver condutas de interesse dentro de sua esfera de competência”.

Nesse sentido, ele também instou a encaminhar, caso seja o caso, esses fatos às instâncias internacionais competentes, caso o que está sendo investigado possa ter comprometido as obrigações do Estado colombiano perante o exterior ou envolvido graves violações dos Direitos Humanos.

“O povo colombiano nos confiou a responsabilidade de recuperar o monopólio legítimo da força, restabelecer a ordem pública e garantir que nenhum servidor público permaneça à margem do escrutínio da justiça quando houver motivos suficientes para investigar sua conduta”, ressaltou.

As informações divulgadas pela primeira vez pela Caracol Radio apontam principalmente para Danilo Rueda, que teria se encarregado de propor à delegação do Clã do Golfo a possibilidade de certas concessões em troca de facilitar essas negociações de paz, fato que ele negou.

Da mesma forma, o presidente colombiano, Gustavo Petro, se pronunciou sobre essas afirmações e lembrou que somente ele, como comandante supremo das Forças Armadas, tem autoridade para ordenar e suspender as ações contra grupos armados. No caso do Clã do Golfo, ele reiterou que “nunca” deu ordem para cessar as operações.

NEGOCIAÇÕES COM O CLÃ DO GOLFO

Antes do surgimento dessa nova polêmica, o governo e o Clã do Golfo — que se autodenomina Exército Gaitanista da Colômbia (EGC) —— vinham mantendo diálogos formais desde setembro de 2025 em Doha, no Catar, embora o processo de negociação tenha sofrido outro revés em fevereiro de 2026, após o encontro de Petro na Casa Branca.

Naquela reunião, Petro solicitou apoio aos Estados Unidos para capturar algumas das principais figuras do conflito armado colombiano, entre elas o líder do Clã do Golfo, Jobanis de Jesús Ávila Villadiego, conhecido como “Chiquito Malo”.

No entanto, as conversas foram retomadas em meados de fevereiro, já em Bogotá, depois que, segundo o Clã do Golfo, o Ministério da Defesa da Colômbia aceitou retirar “Chiquito Malo” de sua lista de “alvos de alto valor”, e houvesse avanço na proposta de conceder ao grupo um status político.

No entanto, o governo sempre reiterou que as operações contra o grupo continuam e apenas permitiu, como parte dos diálogos e enquanto a negociação avança, o traslado para as zonas de localização temporária de seus integrantes sem mandados de extradição, o que, portanto, não beneficia “Chiquito Malo”.

Também conhecido como “Javier”, “Chiquito Malo” assumiu o comando do Clã do Golfo após a captura, em outubro de 2021, de Dairo Antonio Úsuga David, conhecido como “Otoniel”, que por anos foi a pessoa mais procurada na Colômbia e agora cumpre uma pena de 45 anos de prisão nos Estados Unidos.

De acordo com a Inteligência colombiana, desde 2022, e coincidindo com as primeiras tentativas do governo de estabelecer um processo de negociação, o Clã do Golfo vem aumentando o número de membros e sua presença em outros cenários, o que tem gerado confrontos com outros grupos armados.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado