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MADRID, 6 jul. (EUROPA PRESS) -
O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, afirmou que já foram encontradas “centenas de irregularidades” durante o processo de transição que vem sendo conduzido nos últimos dias e adiantou que estão preparando as denúncias e sanções correspondentes contra funcionários do governo cessante, ao qual classificou como “o mais corrupto da história”.
“Encontramos centenas de irregularidades; ordenei a formação de um grupo de advogados que já está apresentando as respectivas denúncias criminais, fiscais e disciplinares para que nenhuma injustiça ou ilegalidade cometida contra a pátria fique impune”, anunciou neste domingo por meio das redes sociais.
De la Espriella, que não deu mais detalhes sobre essas supostas irregularidades, enfatizou durante seu discurso que, durante seu mandato — cuja posse está marcada para 7 de agosto —, “ninguém terá privilégios” e prometeu punir aqueles que “traírem a confiança do povo (...) independentemente de quem seja”.
O próximo presidente colombiano denunciou, durante seu segundo discurso dominical, além de um suposto desequilíbrio nas contas públicas, uma “crise humanitária” na saúde pública, cuja alegação foi rapidamente contestada pelo ainda presidente Gustavo Petro, em uma mensagem nas redes sociais.
“As dívidas no sistema de saúde são dos intermediários privados que vocês criaram, são dívidas privadas”, destacou Petro. “Não tirem do povo recursos para o lucro dos vampiros; esses vampiros são de vocês (...) Abelardo de la Espriella tem vivido como magnata com os recursos da saúde do povo”, respondeu ele.
SEGURANÇA E PLANO DE PAZ
De la Espriella também destacou a “dolorosa” situação de segurança pela qual o país está passando, prometendo que desmantelará as políticas de paz total do governo de Petro e voltando a enfatizar a perseguição aos grupos armados ilegais. “O tempo deles acabou”, afirmou.
“O processo de paz total do governo cessante não foi nada mais do que a entrega da soberania nacional ao narcoterrorismo”, defendeu o líder da extrema direita colombiana, que destacou que, nos últimos anos, “eles intensificaram suas ações violentas em diferentes regiões do país”.
“Solicitei à equipe de transição que inclua, no pacote de decretos que assinarei no dia da minha posse, todas as medidas necessárias para revogar o emaranhado jurídico por meio do qual boa parte do território nacional foi entregue aos narcoterroristas sob a falsa promessa de uma paz que nunca chegou”, antecipou ele.
O presidente eleito também se referiu ao recente anúncio do ex-candidato à presidência e senador eleito, Iván Cepeda, de colocar em prática um plano de “desobediência civil pacífica” até que o presidente eleito esclareça as supostas ligações com os Estados Unidos que a oposição lhe imputa.
“Alguns malucos falam em desobediência civil, o que nada mais é do que linhas de frente, bloqueios e terrorismo urbano”, reagiu De la Espriella, que voltou a alertar que será aplicada “toda a força do Estado de Direito” sobre aqueles que agirem “fora da lei”.
REUNIÃO COM OS ESTADOS UNIDOS
Neste mesmo domingo, De la Espriella também informou sobre um encontro que manteve na sexta-feira com uma delegação norte-americana de “alto nível”, em Barranquilla, no qual foram abordadas questões de segurança nacional, combate ao narcotráfico e comércio, além de servir para estreitar as relações.
O futuro governo da Colômbia “trabalhará para reconstruir uma aliança séria, firme e confiável com os Estados Unidos (...) A Colômbia voltará a ter aliados fortes e uma política externa a serviço da segurança”, diz o comunicado.
Assim como fez durante as eleições em Honduras, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, interveio na campanha presidencial colombiana apoiando abertamente De la Espriella, que retribuiu com elogios efusivos ao chefe da Casa Branca.
O partido do governo denunciou que essa interferência, que além de declarações públicas inclui investimentos milionários para manipular a opinião pública, influenciou os resultados.
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