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MADRID 5 set. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anunciou nesta sexta-feira o encerramento das mesas de diálogo e dos espaços de interlocução sociojurídica que ainda estavam em funcionamento no âmbito da chamada política de “paz total” promovida pelo governo de Gustavo Petro.
O presidente comunicou a adoção de várias resoluções por meio das quais seu governo encerrará esses processos, substituindo a estratégia de negociação por uma política centrada na submissão das organizações armadas e criminosas à Justiça.
“Com essas decisões, estou encerrando de uma vez por todas as mesas de diálogo e os espaços de diálogo sociojurídico no âmbito da mal chamada ‘paz total’ do governo de Petro”, afirmou De la Espriella em um comunicado divulgado nas redes sociais.
Entre as decisões mencionadas está o encerramento da mesa de negociações com a Frente Comuneros del Sur, uma facção dissidente do Exército de Libertação Nacional (ELN), bem como a retirada do reconhecimento oficial aos negociadores que haviam sido designados pelo governo anterior.
O Executivo também decidiu encerrar o espaço de diálogo sociojurídico mantido com organizações armadas e criminosas de Medellín e do Vale de Aburrá, conhecido como “Tarimazo”. Nesse caso, o governo também retirou o credenciamento de Isabel Zuleta López como negociadora.
O presidente colombiano ressaltou que esse novo rumo implica abandonar as negociações com esses grupos para aplicar mecanismos de submissão à Justiça, criticando o uso de “um nome tão pomposo para uma farsa tão grande”, em alusão à denominação de “paz total” utilizada durante o governo de Petro.
A partir de agora, conforme explicou De la Espriella, as resoluções serão encaminhadas ao Ministério da Justiça e à Procuradoria-Geral da Nação, com o objetivo de reativar os processos judiciais contra os membros das organizações afetadas.
“Essas decisões serão comunicadas ao Ministério da Justiça e à Procuradoria-Geral da Nação para que sejam reativados, contra todos esses criminosos, os respectivos mandados de prisão. É claro que aceleraremos as extradições e outras medidas jurídicas que forem necessárias”, especificou ele.
O presidente insistiu ainda que seu governo não prevê manter canais de diálogo com organizações que considera criminosas. “O Estado não negocia sua soberania nem se ajoelha diante dos criminosos”, resumiu ele em uma mensagem divulgada nas redes sociais.
A nova orientação se soma às medidas adotadas no final de agosto contra outros grupos armados que haviam participado de processos de diálogo durante o governo anterior. Entre eles, o Estado-Maior dos Blocos e da Frente (EMBF), a Coordenadora Nacional do Exército Bolivariano (CNEB) e as Autodefesas Conquistadoras da Sierra Nevada (ACSN).
Essa reviravolta representa uma mudança substancial em relação à estratégia adotada por Petro desde 2022, quando seu governo promoveu contatos simultâneos com organizações insurgentes e estruturas consideradas criminosas com o objetivo de avançar rumo a acordos de paz, desarmamento ou entrega à Justiça.
Os processos iniciados durante a legislatura anterior passaram por diversos episódios de crise, suspensões e rompimentos, especialmente nas negociações com o ELN e com diversos setores das dissidências das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), além de divisões internas em algumas das estruturas envolvidas.
De la Espriella, que assumiu a presidência no último dia 7 de agosto e que já havia manifestado durante a campanha sua intenção de modificar a abordagem de paz e segurança de seu antecessor, aposta agora no cumprimento das ordens judiciais para a perseguição dos integrantes desses grupos.
“Chega de concessões aos criminosos. A autoridade legítima nunca mais cederá”, declarou o presidente colombiano em seu comunicado.
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