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MADRID, 16 jul. (EUROPA PRESS) -
A diretora da Unidade de Implementação do Acordo Final de Paz da Colômbia, Gloria Cuartas, apresentou uma denúncia ao Ministério Público contra o presidente eleito, Abelardo de la Espriella, por supostas condutas de “assédio agravado, injúria e instigação à prática de crime” decorrentes de declarações públicas dirigidas contra o ex-líder das FARC, Rodrigo Londoño, conhecido como ‘Timochenko’, e as pessoas signatárias do acordo de paz de 2016.
É assim que ela se referiu às palavras de De la Espriella, que afirmou que Londoño é um “criminoso de guerra que deveria estar na prisão perpétua e que trabalharia para que isso acontecesse”, conforme consta da denúncia publicada pelo Ministério Público colombiano.
O documento indica que essas expressões poderiam constituir “condutas passíveis de investigação criminal, na medida em que excederiam os limites da liberdade de expressão, tornando-se mensagens que poderiam incentivar a estigmatização, a hostilidade ou a violência contra uma pessoa e contra um coletivo protegido pelo Estado colombiano, como são os signatários do acordo de paz e suas famílias”.
Entre os argumentos apresentados por Gloria Cuartas, diretora da Unidade de Implementação do Acordo Final de Paz, essas declarações de Abelardo de la Espriella são “graves” porque “provêm de quem está chamado a exercer a presidência a partir de 7 de agosto de 2026”.
“Isso pode ser entendido como uma pressão institucional sobre a Jurisdição Especial para a Paz, afetando a confiança pública em suas decisões e comprometendo o dever de respeito e colaboração harmoniosa que os demais poderes públicos devem observar em relação à independência judicial prevista na Constituição”, lamentou ela.
O documento apresentado ao Ministério Público aponta que as afirmações de Abelardo de la Espriella aprofundam “a estigmatização daqueles que depuseram as armas e contribuíram para a paz, além de enfraquecerem a implementação desse acordo”.
A denúncia sustenta que esse tipo de expressão, proferida em um contexto de violência persistente contra a população signatária do acordo de paz, podem aumentar os riscos à sua vida e integridade e afetar as garantias de segurança e de não repetição previstas no acordo de 2016, assinado entre as então FARC e o Estado colombiano.
Nesta mesma semana, o presidente eleito anunciou a extinção de várias secretarias e agências da Presidência para evitar a “duplicação de funções e o desperdício” e extinguiu o cargo de comissário de paz, que passará a se chamar comissário de segurança.
Além disso, ele questionou a JEP, justamente pela autorização concedida no final de junho a Londoño para que viajasse para a Espanha, apesar de, apenas alguns dias antes, ter ratificado a sentença contra ele como ex-líder da guerrilha.
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