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MADRID 3 abr. (EUROPA PRESS) -
Um grupo de especialistas das Nações Unidas publicou nesta quinta-feira um relatório contundente que identifica 54 funcionários, militares e membros do partido governista da Nicarágua como responsáveis por "graves violações de direitos humanos, abusos e crimes" cometidos no país centro-americano.
"Esse relatório expõe a anatomia de um sistema de governo que instrumentalizou todos os poderes do Estado contra seu próprio povo", disse Jan-Michael Simon, presidente do grupo de especialistas, em uma declaração divulgada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU.
O documento detalha a estrutura, as cadeias de comando e as responsabilidades individuais que esses indivíduos desempenharam em "prisões arbitrárias; tortura; execuções extrajudiciais; perseguição da sociedade civil e da mídia; campanhas para desnacionalizar e confiscar a propriedade privada".
Uma das especialistas do grupo, Ariela Peralta, explicou que o relatório de 234 páginas detalha um "sistema de repressão estreitamente coordenado que se estende desde a presidência" ocupada por Daniel Ortega "até as autoridades locais".
"Esses não são incidentes aleatórios ou isolados, mas fazem parte de uma política estatal deliberada e bem orquestrada, executada por atores identificáveis por meio de cadeias de comando definidas", enfatizou Peralta.
Para compilar o relatório, o grupo de especialistas da ONU realizou mais de 1.600 entrevistas com vítimas, testemunhas, perpetradores e outras fontes de informação. Também analisou mais de 8.400 documentos oficiais e confidenciais.
Entre as questões abordadas no documento está a reforma constitucional aprovada pelo parlamento em janeiro, que permite que Ortega se arrogue mais poderes. A lista de 54 nomes foi inicialmente compartilhada confidencialmente com o governo da Nicarágua, que se recusou a cooperar com o grupo de especialistas.
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