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Albares ainda não vê o Hamas como "um parceiro na paz" e insiste em seu desarmamento antes de pedir a Israel que cesse sua ofensiva "para sempre".
MADRID, 4 out. (EUROPA PRESS) -
O governo espanhol vê os últimos avanços no plano de paz dos Estados Unidos para pôr fim ao conflito na Faixa de Gaza, mas também considera que ainda não representam um "passo definitivo" para pôr fim a um conflito cuja resolução, insistiu, continua condicionada a uma solução de dois Estados vivendo lado a lado, palestino e israelense, e com a participação da Autoridade Palestina, o governo palestino na Cisjordânia reconhecido pela comunidade internacional.
O ultimato dado ontem pelo presidente dos EUA, Donald Trump, foi respondido pelo movimento islâmico palestino Hamas com um compromisso inicial de libertar todos os reféns israelenses, mas também com a intenção de negociar aspectos importantes da oferta dos EUA em relação à retirada do exército israelense do enclave e seu futuro político.
Para o ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, a aprovação inicial do Hamas representa, de qualquer forma, "mais um passo em direção à paz, um passo que o governo espanhol saúda", embora "não seja o passo definitivo e, sem dúvida, ainda haverá muitos obstáculos", disse ele no sábado em declarações à TVE, relatadas pela Europa Press.
A questão do desarmamento do Hamas é um deles: o movimento islâmico palestino concorda com Trump sobre a possibilidade de estabelecer um futuro governo para Gaza composto por "tecnocratas independentes", mas rejeitou o chamado "Conselho de Paz", um órgão internacional de transição, chefiado pelo próprio presidente dos EUA, juntamente com outros membros e chefes de Estado a serem anunciados em breve, incluindo o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
Sobre essa questão, Albares insistiu mais uma vez que a Espanha não vê o Hamas como um "parceiro para a paz" porque "é uma organização terrorista que nunca acreditou na solução de dois Estados, "não acredita na existência do Estado de Israel e só acredita na violência".
Para Albares, "a Autoridade Nacional Palestina é o parceiro da Espanha e da comunidade internacional porque acredita na solução de dois Estados". Nenhuma das opções é exclusiva: "Um Estado palestino sem o Hamas é possível, e o desarmamento do Hamas é possível".
O ministro também insistiu que o exército israelense deve suspender "todas as suas ações militares na Faixa de Gaza, definitivamente e para sempre, que deve haver um cessar-fogo permanente" e "não impedir e parar de bloquear" o enclave para que os alimentos possam entrar.
Israel, vale lembrar, comprometeu-se com uma vaga "primeira fase" que implicaria, novamente em princípio e quando der ao Hamas o sinal verde para o processo, a suspensão imediata dos ataques e a libertação de reféns e a troca de prisioneiros em 72 horas.
De qualquer forma, e apesar das dificuldades que aguardam o procedimento, o ministro saudou o progresso feito nas últimas horas. "Se tudo isso servir, mesmo que seja apenas para libertar um único refém, para que haja um dia em que os palestinos em Gaza possam ter livre acesso a alimentos, para que o bombardeio injustificado de Israel cesse neste momento, eles são bem-vindos", reiterou.
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