Publicado 16/02/2026 06:04

Espanha publica a primeira estratégia nacional contra a proliferação de armas de destruição em massa

O presidente do Governo, Pedro Sánchez (à direita), intervém no painel “Fortalecendo os alicerces da segurança transatlântica”, no âmbito da Conferência de Segurança de Munique, em 14 de fevereiro de 2026, em Munique (Alemanha). Mais de 60 chefes de Estad
Pool Moncloa/Borja Puig de la Bellacasa

Menciona “a reviravolta que representou a agressão russa à Ucrânia” e alerta para o fim do tratado EUA-Rússia: não ajuda a resolver a crise MADRID 16 fev. (EUROPA PRESS) -

O Boletim Oficial do Estado (BOE) publicou nesta segunda-feira a Estratégia Nacional contra a Proliferação de Armas de Destruição Maciça aprovada pelo Conselho de Segurança Nacional em sua reunião de 16 de dezembro, na qual, pela primeira vez, a Espanha “formula diante dessa ameaça seus objetivos e linhas de ação” em um quadro global “cada vez mais complexo”.

A estratégia foi publicada no BOE dois dias depois de o presidente do Governo, Pedro Sánchez, se ter manifestado contra a proliferação nuclear na Conferência de Munique, em frente à Alemanha e à França. O chefe do Executivo espanhol afirmou que o rearmamento nuclear dos últimos anos, que calculou em 11 milhões de dólares por hora, “não é o caminho a seguir”.

O documento agora divulgado pelo Governo tem em conta “a reviravolta que representou a agressão russa à Ucrânia e as tensões que o multilateralismo está a sofrer, não só em matéria de não proliferação”, mas também alerta que “a suspensão do diálogo estratégico EUA- Rússia" em matéria de controle de armamentos nucleares "não contribui para resolver a crise do sistema", em referência ao fim da prorrogação do Novo Start. Além disso, a estratégia inclui "necessidades de autoproteção contra a ação de grupos não governamentais que podem tentar obter os elementos ou conhecimentos necessários para fabricar armas nucleares, radioativas, químicas ou biológicas".

O objetivo, tal como indicado pelo BOE, é duplo: por um lado, “projetar o interesse nacional pela segurança global, através de uma ação coordenada de todos os órgãos da Administração Geral do Estado”; e, por outro, “fortalecer e preparar as administrações e a sociedade civil para prevenir e impedir ações proliferadoras no nosso território”.

Assim, o documento situa no nível político-estratégico a ação do Estado para enfrentar as ameaças decorrentes da proliferação de armas de destruição em massa e responde, assim, ao aumento do risco que tem sido identificado pelas sucessivas estratégias de segurança nacional. PARTICIPAÇÃO DA ESPANHA NO DESARMAMENTO E CONTROLE DE ARMAS

Por isso, em linha com a Estratégia Espanhola de Ação Externa e a Diretiva de Defesa Nacional, a estratégia busca, no plano internacional, “a participação numa Europa forte, apoiar o compromisso da Espanha com o sistema multilateral e defender o direito internacional e participar na construção da paz e da segurança, especialmente no âmbito do desarmamento e do controle de armamentos”.

O Governo argumenta que o fim da Guerra Fria e os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 apresentaram um novo cenário em que a União Europeia considerou necessário organizar e planear a resposta à ameaça que representava a proliferação e, em 2003, foi aprovada a Estratégia Europeia contra a Proliferação de Armas de Destruição Maciça.

Essa estratégia, lembra o Executivo, “refletia o aumento do risco decorrente da atividade de Estados que tentavam desenvolver, contrariamente aos tratados e acordos internacionais, armas NRBQ — nucleares, radiológicas, biológicas e químicas —”, mas também “o risco decorrente da possibilidade de organizações terroristas se apropriarem desse tipo de material”.

Dito isto, o Governo salienta que o objetivo desta primeira Estratégia Espanhola contra a Proliferação de Armas de Destruição Maciça “pretende refletir os desafios, atualizados, que essa estratégia europeia apresentava em 2003” e, além disso, “leva em conta a reviravolta que representou a agressão russa à Ucrânia e as tensões que o multilateralismo está sofrendo, não apenas em matéria de não proliferação”.

Até agora, o quadro estratégico da segurança nacional em Espanha tinha optado por incorporar a proliferação de armas de destruição maciça como “uma das ameaças identificadas nas sucessivas estratégias de segurança nacional (ESN), mas sem desenvolver uma estratégia setorial própria para enfrentá-la”. A PROLIFERAÇÃO, UMA AMEAÇA SIGNIFICATIVA

Essas estratégias de segurança nacional desde 2011 até hoje, sublinha o Executivo, “reconhecem a proliferação como uma ameaça significativa e contemplam a necessidade de enfrentá-la como parte integrante da política de segurança nacional e do nosso compromisso com a paz e a estabilidade internacionais”.

“As sucessivas análises de percepção de riscos elaboradas pelo Departamento de Segurança Nacional, com a participação de numerosos especialistas, classificam o risco proveniente dessa ameaça como um dos de menor grau de probabilidade, mas com um impacto potencial de alto nível”, justifica.

A ARQUITETURA INTERNACIONAL EM “FASE CRÍTICA” Neste contexto, o Governo destaca que a arquitetura internacional de controlo de armamento, não proliferação e desarmamento se encontra numa “fase crítica, em consequência tanto da agressão russa contra a Ucrânia como, a mais longo prazo, do questionamento por parte de vários atores de muitos dos fundamentos do sistema”.

“Esses fatores se somam aos sinais de desgaste que o sistema já vinha apresentando há anos e que se materializaram em crises de proliferação não resolvidas, como as do Irã e da Coreia do Norte”, acrescenta.

Em relação à situação da Rússia sobre a Ucrânia, a estratégia nacional afirma que a “agressão russa enfraquece a arquitetura internacional de várias maneiras”, entre as quais destaca que “o aumento na produção e venda de material militar, embora não possa ser diretamente relacionado a um aumento do risco de proliferação, enfraquece os objetivos perseguidos pelo regime de não proliferação e desarmamento”. A transferência de drones do Irã para a Rússia ou a crescente colaboração militar entre a Coreia do Norte e a Rússia, diz o Executivo, “são um bom exemplo dessa tendência”. Também menciona que “a suspensão do diálogo estratégico EUA-Rússia em matéria de controle de armamentos” não contribui “para resolver a crise do sistema”; refere-se à “atitude da Rússia que está levando ao bloqueio de vários fóruns”; ou que a Rússia deixou de desempenhar um papel nos processos diplomáticos abertos para responder às crises de proliferação nuclear pendentes, “o que está contribuindo para as dificuldades em avançar nesses assuntos”.

O governo também aponta “a retórica nuclear irresponsável, que as autoridades russas usam com intenções propagandísticas; as medidas desestabilizadoras, como a instalação de armas nucleares na Bielorrússia”, entre outras, que “contribuem em grande medida para a falta de avanços tangíveis”. INSTABILIDADE NO ORIENTE PRÓXIMO

A estratégia nacional também destaca que “a situação de instabilidade no Oriente Médio tem um impacto muito negativo na arquitetura internacional de ADM”, embora tenha havido passos positivos nos últimos anos, como a realização de quatro sessões da Conferência sobre a Criação no Oriente Médio de uma Zona Livre de Armas Nucleares e Outras Armas de Destruição em Massa, “a situação continua sendo muito negativa”.

Os programas nucleares e de meios de dispersão da Coreia do Norte ou o uso de armas químicas na Síria, segundo cita, são outra via pela qual “a arquitetura internacional de não proliferação e desarmamento está sendo progressivamente enfraquecida”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado