Gustavo Valiente - Europa Press
MADRID 31 ago. (EUROPA PRESS) -
O governo da Espanha decidiu nesta segunda-feira prorrogar por mais 15 dias os controles de fronteira aos passageiros que chegam ao território nacional por via marítima ou aérea vindos da Itália, após a decisão do governo de Giorgia Meloni de manter a suspensão do Acordo de Schengen com a Espanha devido à crise em Ceuta, conforme informou o Ministério do Interior.
Esses controles foram instituídos no último dia 8 de agosto por um prazo inicial de um mês e serão prorrogados por mais 15 dias, após o governo da Itália ter adotado nesta segunda-feira uma prorrogação, pelo mesmo período, da suspensão do Acordo de Schengen de livre circulação.
Dessa forma, a Itália continuará submetendo a controles de fronteira as pessoas provenientes da Espanha, em meio à crise surgida entre Madri e Roma devido à gestão da entrada maciça de migrantes em Ceuta no último dia 30 de julho.
Segundo informa a agência italiana ADN Kronos, o Ministério do Interior italiano tomou a decisão, que notificará em breve à União Europeia (UE), à qual deve informar, uma vez que se trata de uma medida extraordinária no contexto da livre circulação europeia.
A decisão foi comunicada pelo ministro do Interior italiano, Matteo Piantedosi, ao seu homólogo espanhol, Fernando Grande-Marlaska, durante uma “conversa telefônica construtiva”, informou a agência citada, que destaca que Roma justifica sua medida com base na análise realizada pelo Comitê de Análise de Imigração e Segurança de Fronteiras.
Na opinião da Itália, persistem os elementos de avaliação que levaram à reintrodução, em 1º de agosto passado, dos controles de fronteira para voos e embarcações provenientes da Espanha, mas leva em conta “as iniciativas já empreendidas pela Espanha, em conjunto com a União Europeia, para que a situação nessa região possa caminhar rumo a uma normalização em breve”.
O presidente do Governo, Pedro Sánchez, referiu-se precisamente a esses controles nesta segunda-feira, afirmando que eles não fazem “nenhum sentido”. Em entrevista à Cadena Ser, divulgada pela Europa Press, ele lembrou que a Espanha ajudou a Itália a acolher imigrantes que chegaram à ilha de Lampedusa e defendeu a necessidade de solidariedade.
Sánchez lamentou a carta de 22 líderes europeus, entre eles Meloni, que questionavam a política migratória do Executivo espanhol, e argumentou que sempre defendeu que os países europeus na linha de frente que sofrem com a chegada de migração irregular, como a Espanha e a Itália, precisam da “solidariedade dos países da Europa Central e do Norte da Europa”.
O governo espanhol adotou, em reciprocidade, o restabelecimento dos controles de Schengen para viajantes provenientes da Itália até o próximo dia 7 de setembro. Fontes governamentais vinham indicando que a medida poderia ser suspensa antes se as autoridades italianas fizessem o mesmo, o que, no fim das contas, não ocorreu.
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