Europa Press/Contacto/Guillermo Gutierrez Carrasca
MADRID, 29 jul. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores, da União Europeia e da Cooperação, José Manuel Albares, pediu nesta quarta-feira uma “perspectiva europeia” para enfrentar os incêndios florestais “devastadores” e “sem precedentes” que estão ocorrendo em vários pontos da Espanha e instou a União Europeia a “se adaptar” para “criar mecanismos ainda mais robustos”.
“Este ano, queimaram-se seis vezes mais áreas do que no ano anterior na mesma época. As últimas notícias indicam que a situação está sob controle, que há certo controle sobre a temperatura, mas a realidade que temos testemunhado ano após ano aqui na Espanha, e também aqui na Europa, é que os incêndios estão se tornando cada vez mais frequentes, que há uma maior incidência”, explicou durante uma entrevista concedida à emissora de rádio francesa RFI, divulgada pela Europa Press.
Nesse sentido, lamentou que as temperaturas máximas estejam “cada vez mais altas”, uma situação que torna obrigatória a intervenção a partir de uma “perspectiva europeia, como se faz com os mecanismos europeus”. Assim, ele agradeceu aos governos de Portugal, Itália, Grécia, Turquia e Sérvia pela ajuda prestada à Espanha, ao mesmo tempo em que enfatizou a importância da prevenção.
“É muito importante que todos estejamos cientes disso para reduzir os riscos e melhorar o desenvolvimento do território. Devemos aceitar que os incêndios estão se tornando cada vez mais frequentes, que as temperaturas máximas estão mais altas, que hoje em dia há incêndios por toda parte, na Espanha e também na Europa, em locais onde tradicionalmente não havia. E a União Europeia deve se adaptar para criar mecanismos ainda mais robustos, com meios ainda mais eficazes”, destacou.
É por isso que ele enfatizou a necessidade de “antecipar-se” a esses incêndios, de “ter capacidade para reduzir os riscos”. “Não é apenas uma questão de recursos, mas também de analisar a situação atual. Devemos lutar contra o negacionismo climático, contra todas essas forças políticas ou todas essas pessoas que acreditam que a mudança climática é algo que só existe na imaginação das pessoas, e devemos trabalhar para que o Pacto Verde Europeu tenha maior divulgação”, esclareceu.
Sobre essa questão, Albares ressaltou que o governo já propôs um Pacto de Estado Climático a “todas as forças políticas, para combater os efeitos das mudanças climáticas, mas também as próprias mudanças climáticas”. “A oposição de direita prefere não ouvir falar do assunto por enquanto”, criticou.
“O pacto europeu é um exemplo claro de como as diferentes forças políticas trabalham contra as mudanças climáticas, mas também a favor da transição ecológica, fonte de crescimento, competitividade e geração de empregos. No entanto, devemos reconhecer que há cada vez mais vulnerabilidades relacionadas às mudanças climáticas”, afirmou.
O ministro quis expressar sua solidariedade à França, que também está sendo duramente atingida pelos incêndios. “Quero expressar minha mais sincera solidariedade ao governo francês e fazer com que saibam que também estamos pensando neles”, reforçou.
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