Eduardo Parra - Europa Press
MADRID 16 abr. (EUROPA PRESS) -
O governo decidiu participar da reunião sobre o bloqueio no Estreito de Ormuz, organizada nesta sexta-feira pelo presidente francês, Emmanuel Macron, e pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, embora rejeite qualquer operação militar, mas se mostre aberto a apoiar uma futura missão sob a égide da ONU para garantir a navegação assim que o atual conflito chegar ao fim.
Foi o que informaram nesta quinta-feira fontes governamentais, que precisaram que será o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, quem participará por videoconferência do encontro em Paris, uma vez que o presidente do Governo, Pedro Sánchez, estará reunido com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, no âmbito da primeira cúpula bilateral.
A partir de Moncloa, foi enfatizado que o Governo está preocupado com a situação no Estreito de Ormuz, onde ao bloqueio inicial imposto pelo Irã em resposta à ofensiva lançada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro se somou, nesta semana, um segundo bloqueio naval norte-americano, e defende o direito à livre navegação.
“A Espanha mantém-se firme na sua posição de se opor à participação em qualquer operação militar que possa ser desenvolvida em relação à guerra no Irã, e isso inclui uma intervenção no Estreito de Ormuz”, enfatizaram as fontes.
No entanto, deixaram claro que o governo “mantém-se aberto a que, quando a guerra terminar e sempre sob a égide da ONU, se possa promover uma operação amparada pelas Nações Unidas para garantir a segurança no Estreito”.
Fontes governamentais explicaram que, se a Espanha não havia se juntado até agora aos esforços liderados por Macron e Starmer para buscar uma solução para o bloqueio de Ormuz — por onde passa 20% do petróleo e do gás mundial —, é porque havia algumas dúvidas quanto à abordagem.
Agora, acrescentaram as fontes, ficou claro que a França, o Reino Unido e os demais países da coalizão não parecem apostar em uma intervenção militar e estão dispostos a esperar que o conflito termine para empreender alguma ação concreta.
No último dia 6 de abril, Albares havia reconhecido que a Espanha havia sido convidada a participar de uma reunião organizada por Londres e Paris, que reuniu outros 40 países alguns dias antes, porque o governo não queria estar “em nenhuma reunião em que pudesse ser debatido qualquer tipo de intervenção, de força ou de segurança que pudesse agravar” a guerra no Oriente Médio.
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