Publicado 01/09/2026 07:04

A Espanha e outros dez países da UE pedem que os 27 renunciem aos vetos que impedem o avanço na política externa

1º de setembro de 2026, Irlanda, Wicklow: Kaja Kallas, Alta Representante da UE para Assuntos Externos e Política de Segurança e vice-presidente da Comissão Europeia, participa da reunião informal dos ministros da Defesa dos Estados-membros da UE. Foto: A
Ansgar Haase/dpa

BRUXELAS 1 set. (EUROPA PRESS) -

Os ministros das Relações Exteriores de onze países da União Europeia, entre eles a Espanha, exigiram que seus demais homólogos renunciem aos vetos “obstruidores” nas decisões internacionais do bloco comunitário e propuseram fazer uso mais ativo da “abstenção construtiva” e a fundamentar de forma substancial os motivos para se opor a decisões que exijam consenso entre os Vinte e Sete.

Em uma carta dirigida à Alta Representante da UE para a Política Externa, Kaja Kallas, os ministros das Relações Exteriores da Espanha, Alemanha, França, Bélgica, Países Baixos, Áustria, Dinamarca, Finlândia, Luxemburgo, Romênia e Suécia defenderam a necessidade de reforçar a capacidade de ação da UE diante de um cenário geopolítico marcado pela “competição estratégica”, pela crescente instabilidade e pelas tentativas de minar a ordem internacional.

“Embora nosso objetivo continue sendo alcançar a maior unidade possível entre todos os Estados-membros, é do nosso próprio interesse não permitir que fiquemos presos em impasses quando não for possível chegar a um consenso”, afirmam os onze ministros na carta, enviada também aos demais ministros das Relações Exteriores dos Vinte e Sete.

Isso exige, prosseguem na carta, uma política externa “capaz de agir e tomar decisões rápidas” justamente quando “a rapidez, a determinação e o peso político são mais necessários”, buscando, ao mesmo tempo, o consenso “sempre que possível” pois “é uma fonte importante de legitimidade” para as decisões adotadas pela União Europeia.

Para isso, anexam um documento de posição articulado em cinco princípios de atuação, concebidos para maximizar as ferramentas que “já estão previstas” nos Tratados da UE, sem a necessidade de reformá-los, e que contam com um “marco jurídico” que “depende exclusivamente” dos Estados-Membros para “colocá-las em prática” e, assim, fazer avançar a política externa da UE.

ABSTENÇÕES CONSTRUCTIVAS CONTRA VETOS “OBSTRUÇÕES”

Entre os cinco princípios, destaca-se a promoção, com maior frequência, da “abstenção construtiva” quando um Estado-Membro não puder apoiar uma decisão, de modo que sua posição não impeça a ação do conjunto da União.

O grupo de países reivindica, além disso, agir sob o princípio da “cooperação leal” e da “solidariedade mútua” para tentar alcançar posições comuns em todas as questões de política externa, lembrando que esses princípios são juridicamente vinculativos e se aplicam à tomada de decisões no Conselho.

Os signatários também se comprometem a evitar vincular de forma “obstruidora” uma decisão de política externa a outras questões que não estejam “substancialmente” relacionadas a ela, e a que as objeções sejam comunicadas “o mais cedo possível”.

Reconhecem, além disso, que, caso uma decisão de política externa deva ser adotada por maioria qualificada, qualquer Estado-Membro pode se opor a ela “por razões vitais e explicitadas de política nacional”, desde que “tais razões sejam expostas de maneira substantiva”, com o objetivo de permitir uma consulta significativa e buscar uma “solução aceitável” para todos os Estados-Membros.

Por fim, incentivaram Kallas a “explorar” outras opções baseadas nos Tratados da UE “disponíveis para melhorar a tomada de decisões”, podendo incluir uma nova proposta da Alta Representante que seja “conforme aos tratados”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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