David Zorrakino - Europa Press - Arquivo
MADRID 26 jun. (EUROPA PRESS) -
O governo se ofereceu para enviar, na próxima semana, à Venezuela, por meio do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, o hospital de campanha START da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), com capacidade para atender tanto os feridos pelos devastadores terremotos que assolaram o país quanto doentes e outros pacientes, incluindo partos.
Conforme explicou o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado, a Espanha se ofereceu para enviar o hospital de campanha “na próxima semana” no âmbito da resposta do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, o que “permite coordenar a ajuda internacional com as autoridades nacionais e o conjunto de atores humanitários presentes no país, evitando sobreposições e garantindo que a assistência chegue onde for mais necessária”.
A oferta feita nesta ocasião, depois que “as autoridades venezuelanas já solicitaram apoio sanitário internacional”, é que o hospital de campanha possa ser mobilizado em seu formato EMT-1.
A START (Spanish Technical Aid Response Team) é a equipe médica de emergência da Cooperação Espanhola, liderada pela AECID, e sua principal característica é poder ser mobilizada rapidamente em situações de emergência humanitária, como a que a Venezuela atravessa neste momento, para oferecer atendimento médico de urgência, seguro e de qualidade.
Há exatamente um ano, em junho de 2025, recebeu da Organização Mundial da Saúde (OMS) a certificação EMT-1 (equipe médica de emergência tipo 1), ao passo que, desde 2018, já possuía o certificado EMT-2 como hospital de campanha com capacidade cirúrgica.
CARACTERÍSTICAS DO HOSPITAL
Para obter a qualificação EMT-1, conforme explicou na época a AECID, a equipe deve ser capaz de prestar atendimento ambulatorial inicial a pacientes com traumatismos, doenças transmissíveis ou não transmissíveis, ao mesmo tempo em que realiza triagem, primeiros socorros e atendimento de urgência médica (traumatológica e não traumatológica). Além disso, pode prestar atendimento primário geral e serviços básicos de saúde reprodutiva, incluindo obstetrícia e neonatologia de emergência.
Esse tipo de hospital de campanha deve ser capaz de iniciar as operações em no mínimo 24 horas após chegar à área afetada e operar de forma autônoma por pelo menos 14 dias em termos de abastecimento de água, energia, alimentação, logística e saneamento, sem descartar a possibilidade de uma rotação mais longa.
Como regra geral, atendem no mínimo 100 pacientes ambulatoriais por dia, possuem um projeto leve, modular e adaptável, concebido para atuar em contextos difíceis, e uma equipe de pelo menos 42 pessoas, incluindo profissionais de saúde, coordenação, logística e WASH (água, saneamento e higiene).
Caso sua mobilização na Venezuela se concretize, não será a primeira vez que a START atuará em um contexto de terremoto, já que ela já o fez durante o terremoto que devastou, em fevereiro de 2023, o sul da Turquia e algumas regiões da vizinha Síria.
Naquela ocasião, foi o primeiro a chegar à região. Chegou no dia 9 de fevereiro, 72 horas após a catástrofe, e já estava operacional no dia 13 para receber os primeiros pacientes. Durante sua mobilização, chegou a atender até 400 pacientes em um dia e, por contar tanto com sala de cirurgia quanto com sala de parto, também foram atendidos alguns partos.
MAIS AJUDA DA AECID
Enquanto se concretiza o envio do START, a AECID já mobilizou um milhão de euros em resposta ao apelo por recursos feito pela Federação Internacional da Cruz Vermelha (FICR) para atender às necessidades mais imediatas da população após a catástrofe.
Além disso, de acordo com o comunicado do Ministério das Relações Exteriores, a AECID está trabalhando com diversos fornecedores para analisar a disponibilidade de material humanitário que, caso seja necessário, poderia ser enviado a partir dos centros logísticos do Panamá, da Colômbia ou da Espanha.
A AECID também mantém uma coordenação estreita com a Secretaria-Geral de Proteção Civil e Emergências do Ministério do Interior e com o Ministério da Defesa “para articular a resposta”, e está em contato permanente com os principais organismos humanitários, como a FICR, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPS) e ONGs especializadas, com o objetivo de “avaliar a evolução da situação e coordenar as possíveis ações”.
Além disso, precisou o ministério, quatro das ONGs que mantêm um acordo de emergências com a AECID (Cruz Vermelha Espanhola, Ação contra a Fome, Save the Children e Cáritas) estão avaliando a ativação desse acordo.
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