Publicado 21/03/2026 10:31

A Espanha descarta o retorno das forças armadas espanholas ao Líbano e "não prevê" a saída dos EUA das bases

O comandante da Brigada Guadarrama, coronel Luis Vicente Vera, e a ministra da Defesa, Margarita Robles, durante a visita à XII Brigada “Guadarrama” (BRI XII), na base militar El Goloso, em 16 de março de 2026, em Madri (Espanha).
Matias Chiofalo - Europa Press

MADRID 21 mar. (EUROPA PRESS) -

A ministra da Defesa, Margarita Robles, descartou “por enquanto” o retorno dos militares espanhóis que se encontram no Líbano e afirmou que “não prevê” que os Estados Unidos se retirem das bases de Rota e Morón, como ameaçou seu presidente, Donald Trump.

Robles se referiu neste sábado à "complicada" evacuação de 200 militares espanhóis do Iraque, que chegaram na madrugada de hoje à Base Aérea de Torrejón em um voo proveniente da Turquia, após uma "viagem muito cansativa" e "vários dias sem dormir", mas com "muito ânimo".

A “prioridade” era que eles saíssem de lá por segurança, mas ela esclarece que a missão continuará quando a OTAN assim o decidir, porque a Espanha é “um parceiro responsável e confiável”. “Vamos ver como a situação evolui”, afirma.

“Toda a nossa preocupação está voltada para nossos militares no Líbano, que estão nessa missão das Nações Unidas que também é muito complicada e muito difícil”, afirmou em entrevista ao canal 24Horas da RTVE, divulgada pela Europa Press.

A ministra revelou que fala “todos os dias” com as tropas espanholas — 700 pessoas, de um total de 10.000 militares de diferentes nacionalidades —, exigiu que “se respeite ao máximo a vida dos cascos azuis” e reconheceu que “evidentemente a situação no Líbano é muito preocupante”, diante dos ataques de fogo cruzado entre o Hezbollah e Israel devido ao conflito no Oriente Médio, que devem ser “monitorados”, pois “a prioridade é a vida e a segurança”, ressalta.

No entanto, descartou o envio de algum contingente para levá-los de volta à Espanha, como aconteceu com os deslocados no Iraque: “Por enquanto, não. Porque não é uma missão da Espanha propriamente dita, é uma missão das Nações Unidas”, lembrou.

De fato, ele alertou que, se os cascos azuis da ONU se retirassem do Líbano, “o cenário seria ainda muito mais preocupante”: embora os militares passem muitas horas nos bunkers, eles realizam “muitas tarefas de manutenção da paz” e de “ajuda à população”, enfatizou.

“O Líbano é um povo que amamos muito, um povo do qual nos sentimos muito próximos, um povo que deseja a paz e que, esperamos, a paz chegue logo”, concluiu a respeito.

ROBLES, SOBRE A RETIRADA DOS EUA DE ROTA E MORÓN: “NÃO CONTEMPLAMOS ISSO”

Por outro lado, a ministra se referiu às recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sugeriu que o exército norte-americano deveria abandonar as bases militares de Rota e Morón, na Espanha, bem como as dos demais países da OTAN que não estejam colaborando na proteção do Estreito de Ormuz. “É um cenário que não contemplamos”, sublinhou.

Robles minimizou a importância das palavras de Trump, observando que se trata de “uma reflexão que ele faz em muitas ocasiões” em relação às bases dos países da Aliança Atlântica e destacou que, recentemente, o embaixador americano visitou ambas as bases espanholas.

“Isso não é algo recente, e evidentemente pedimos que se respeite a posição da Espanha, que é firme, clara e inequívoca contra qualquer guerra” que não respeite o direito internacional, defendeu a ministra: “É preciso respeitar a posição dos diferentes países” e a Espanha não é a única na Europa e no mundo que se opôs aos ataques dos EUA e de Israel no Irã.

“Esta não é a nossa guerra” e “não podemos aceitar qualquer tipo de ingerência no que é um compromisso firme e inequívoco com a paz”, ressalta.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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