Pool Moncloa/Borja Puig de la Bellacasa
Os cinco presidentes estão convencidos de que mais países irão aderir porque "nunca há um momento ruim para fortalecer a democracia".
SANTIAGO, 21 jul. (Do correspondente especial da EUROPA PRESS, Leyre Guijo) -
Os presidentes da Espanha, Pedro Sánchez; do Chile, Gabriel Boric; do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; da Colômbia, Gustavo Petro, e do Uruguai, Yamandú Orsi, uniram suas vozes nesta segunda-feira em defesa da democracia e do multilateralismo diante da ameaça da extrema-direita com o objetivo de trazer "luz" diante dessa "escuridão".
"Acender a luz é fundamental quando a escuridão vem, quando a escuridão começa a assustar a alma", defendeu o presidente colombiano após a reunião realizada pelos cinco líderes progressistas no histórico Palácio de la Moneda, em Santiago, convocada por Boric.
Em nível ibero-americano, Petro deixou claro que "queremos ajudar a acender a luz", "abrir a luz em um mundo que está cheio de escuridão", contrastando assim a democracia com o autoritarismo e a extrema direita.
Nesse sentido, os cinco expressaram seu desejo de que essa iniciativa em defesa da democracia, que teve origem em uma reunião organizada por Sánchez e Lula à margem da Assembleia Geral da ONU em setembro passado, conte com a adesão de mais países na próxima reunião programada para depois do verão em Nova York.
"Esperamos que esse processo reúna mais países e atores, comprometidos em lançar as bases de um espaço permanente para a articulação dessa iniciativa global em defesa da democracia, dos direitos humanos e da justiça social", afirmam os cinco países na declaração conjunta que assinaram.
De acordo com Boric, vários líderes já expressaram sua vontade de participar, incluindo a presidente do México, Claudia Sheinbaum, e os primeiros-ministros do Reino Unido, Keir Starmer, e do Canadá, Mark Carney.
DEFESA DIANTE DAS CRÍTICAS
"Há aqueles que criticam essa reunião. Eles não gostam do fato de estarmos nos reunindo", reconheceu o líder chileno. "Eu digo a eles abertamente: nunca é um momento ruim para fortalecer a democracia e o respeito irrestrito aos direitos humanos, ao direito internacional, à justiça, à igualdade, nunca é um momento ruim e é por isso que estamos reunidos aqui", disse ele.
Governar, continuou o líder anfitrião, "requer fazer, requer gerenciamento, mas também requer pensar a longo prazo, agrupar-se, entender que cada um por si só não vai se salvar, temos que agir juntos".
"É esse esforço que decidimos empreender juntos e estamos convidando mais países a se juntarem a nós com a convicção de que sempre podemos resolver os problemas da democracia e enfrentá-los com mais democracia", acrescentou.
Nesse sentido, Orsi expressou sua convicção de que muitos países se unirão "se o objetivo for fortalecer essa forma de convivência que vem de tão longe e que nos custou tantas vidas e sacrifícios", e que o que está em jogo são questões específicas.
"Como membros dessa nova iniciativa, destacamos a urgência de articular respostas conjuntas, inovadoras e concretas que fortaleçam a resiliência democrática em nível global", argumentam na declaração conjunta, na qual defendem que "os desafios do presente exigem liderança, ousadia e ação coordenada".
TRÊS LINHAS DE AÇÃO
Nesse sentido, Sánchez explicou que eles identificaram três linhas principais de ação: fortalecer as instituições democráticas e o multilateralismo, combater a desinformação e reduzir a desigualdade.
Na opinião do chefe do Executivo, essa é "uma das principais tarefas, se não a principal tarefa dos governos progressistas", pois é a injustiça que "acaba quebrando a confiança das pessoas nas instituições". "A desigualdade é o terreno fértil para o vírus do extremismo e da polarização", advertiu.
Ele deixou claro que cabe aos líderes progressistas liderar a resposta à "internacional reacionária" e, se necessário, fazê-lo sozinhos, juntamente com a sociedade civil, já que "está cada vez mais claro que há uma direita, uma direita tradicional com a qual até pouco tempo atrás compartilhávamos consensos básicos, que abandonou esse trabalho histórico e sucumbiu ao discurso e à estrutura impostos pela ultradireita".
Lula, por sua vez, reconheceu que "a democracia liberal não tem sido capaz de responder aos anseios e necessidades contemporâneos". "Cumprir o ritual eleitoral a cada quatro ou cinco anos não é mais suficiente. O sistema político e os partidos caíram em descrédito", reconheceu, defendendo a necessidade de fortalecer as instituições.
Ele também argumentou que a América Latina compartilha com a Espanha e a Europa a necessidade de "trabalhar juntos" em um momento em que o extremismo "está tentando reeditar práticas intervencionistas", dada a longa história compartilhada, os laços econômicos e sociais e o fato de enfrentarem desafios semelhantes.
CESSAR-FOGO EM GAZA
Além disso, os cinco queriam unir suas vozes para pedir um cessar-fogo em Gaza. "Não podemos ficar indiferentes", disse Boric, que afirmou estar "abalado com a morte e o assassinato que ocorrem todos os dias nessa parte do mundo".
"Pedimos um cessar-fogo, que as Nações Unidas e, em particular, o seu Conselho de Segurança, se organizem e que não haja bloqueio para que chegue a ajuda de que tantos seres humanos como nós precisam para continuar vivendo e para que haja dignidade nesse lugar que parece remoto, mas que é a humanidade e também está em nossos corações", concluiu o líder chileno em nome dos cinco.
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