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Fico denuncia que Kiev trata seu país como uma entidade “hostil” e critica o presidente Zelenski por se comportar como um ingrato MADRID 21 fev. (EUROPA PRESS) -
O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, deu um ultimato até segunda-feira ao presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski: ou ele aceita a retomada dos envios de petróleo russo para a Eslováquia na próxima sexta-feira, ou nesse mesmo dia o mandatário eslovaco cortará o fornecimento de energia elétrica de emergência aos ucranianos.
“Se o presidente ucraniano não retomar o fornecimento de petróleo à Eslováquia na segunda-feira, nesse mesmo dia pedirei às empresas eslovacas competentes que interrompam o fornecimento de eletricidade de emergência à Ucrânia”, publicou Fico em uma mensagem nas suas redes sociais, seguindo os passos dados ontem pelo governo da Hungria.
Na sexta-feira, Budapeste confirmou que está bloqueando o empréstimo de 90 bilhões de euros da UE para a Ucrânia pelo mesmo motivo: a decisão de Kiev de não retomar o envio de petróleo russo através do oleoduto Druzhba, o que está colocando em risco, segundo alertou, sua segurança energética.
O oleoduto é o mais longo do mundo e a principal via de transporte de petróleo russo para a Europa. Estas instalações estão na mira da Ucrânia, que as atacou várias vezes durante a guerra, para descontentamento da Hungria e da Eslováquia, que denunciaram que isso ameaça sua segurança energética. Fico lamentou que “o presidente ucraniano se recuse a compreender nossa abordagem pacifista e, como não apoiamos a guerra, se comporte com malícia em relação à Eslováquia”.
“Primeiro, ele interrompeu o fornecimento de gás à Eslováquia e agora interrompeu o fornecimento de petróleo, o que nos causa ainda mais perdas e dificuldades logísticas”, denunciou Fico, após acusar Zelenski de se comportar como um ingrato. “Desde o início da guerra, a Eslováquia tem ajudado a Ucrânia. Cerca de 180.000 ucranianos se encontram atualmente em nosso território, prestamos assistência humanitária e organizamos reuniões governamentais conjuntas. Estamos fazendo muito mais pela Ucrânia do que outros países”, indicou o primeiro-ministro. Neste contexto, “a Eslováquia não pode aceitar as relações entre a Eslováquia e a Ucrânia como uma passagem só de ida que beneficia apenas a Ucrânia” porque “a Eslováquia é um país orgulhoso e soberano, e eu sou um eslovaco orgulhoso e soberano”.
Por tudo isso, Fico anunciou que “se o fornecimento de petróleo à Eslováquia não for retomado na segunda-feira”, solicitará à empresa estatal de energia SEPS “que suspenda o fornecimento de energia elétrica de emergência à Ucrânia” em pleno inverno e diante da ameaça de novos ataques russos.
Finalmente, e sobre o bloqueio do empréstimo da UE, Fico considerou que foi “absolutamente correto” ter rejeitado, como fez a Hungria, o montante mencionado, “dado o comportamento inaceitável do presidente Zelensky em relação à Eslováquia, que tratou como um país hostil”.
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