Kristina Kormilitsyna/TASS via Z / DPA - Arquivo
MADRID, 10 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou nesta quarta-feira tomar medidas “contundentes” contra “qualquer ação que ponha em risco os direitos e interesses da Turquia e dos turco-chipriotas” na região do Mediterrâneo Oriental, diante do aumento da cooperação militar entre Israel e Chipre.
Assim, ele alertou diretamente as autoridades greco-cipriotas, às quais pediu que “não caiam na armadilha da rede de massacre sionista” de Israel. “Se os direitos dessas populações forem ameaçados, quero que saibam que nossa resposta será clara e muito firme”, afirmou em um discurso perante os deputados de seu partido, o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP).
Erdogan, que lamentou que também a Grécia tenha acordado com Israel o envio de uma força de resposta rápida para a região do Mediterrâneo Oriental — onde ambos os países mantêm disputas territoriais —, acusou as autoridades cipriotas de colaborar com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para que “seus sonhos se tornem realidade” nessa zona.
No entanto, ele garantiu que Ancara “acompanha de perto os acontecimentos na região e está ciente de que Israel busca criar problemas na ilha", que se encontra dividida desde que, em 1974, o Exército turco ocupou a parte norte — 36,2% de seu território — após um golpe de Estado instigado pela junta militar no poder na Grécia e diante do temor de que a ilha se unisse a este último país.
Além disso, ele acusou o governo israelense de adotar políticas regionais que “apenas buscam criar instabilidade e caos”, como com “sua agressão ao Líbano, à Síria e ao Irã”, que são “uma prova disso”. “Os ataques de Netanyahu e suas redes criminosas contra a Síria e o Líbano não visam apenas esses dois países irmãos, mas também a Turquia”, denunciou ele, segundo informações do jornal ‘Hurriyet’.
É por isso que pediu à comunidade internacional que “adote medidas concretas para deter o governo de Israel antes que toda a região e o mundo inteiro sejam mergulhados em uma guerra ainda maior, como aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial”. “Israel deve ser detido. Esse é o dever da humanidade. Não se deve permitir que a história se repita", acrescentou.
"DITADOR ANTISSEMITA"
Por sua vez, Netanyahu acusou Erdogan de ser um "ditador antissemita que comete um genocídio contra os curdos" e que "presta apoio" ao Movimento de Resistência Islâmica (Hamas). “Ele oprime seu próprio povo e prende seus rivais políticos, por isso é a última pessoa que deveria dar lições de moral ao Estado de Israel”, afirmou, segundo um comunicado de seu gabinete.
“O Estado de Israel e suas Forças Armadas, que são o exército mais moral do mundo, continuarão adotando medidas concretas contra o Irã e seus aliados, que ameaçam o Oriente Médio e também o mundo inteiro”, concluiu.
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