Carlos Luján - Europa Press - Arquivo
MADRID 4 mar. (EUROPA PRESS) -
A Esquerra Republicana quer que o governo promova uma investigação "independente" sobre o assédio, os maus-tratos e a humilhação sofridos pelos recrutas durante o Serviço Militar Obrigatório nas décadas de 1980 e 1990, para identificar os responsáveis "políticos e militares" por isso, iniciar uma ação legal contra eles e indenizar as vítimas.
O partido pró-independência registrou uma proposta não legislativa no Congresso com essas exigências após a transmissão do documentário da TV3 "Et faran un home", que, segundo eles, "revelou um padrão de impunidade e negligência institucional no tratamento dos recrutas", com vários casos de abusos "documentados".
O porta-voz da ERC no Comitê de Defesa, Francesc-Marc Álvaro Vidal, já solicitou um relato sobre isso em uma pergunta ao governo, mas, como ele explicou em um comunicado à imprensa, o departamento liderado por Margarita Robles afirma que "não tem registro dos fatos" e "se desvincula de qualquer responsabilidade".
O deputado diz que o Ministério da Defesa "reconheceu oficialmente mais de 300 suicídios entre 1983 e 2001 dentro das Forças Armadas", embora, em sua opinião, "os números reais possam ser muito maiores".
ESCLARECENDO A RESPONSABILIDADE CRIMINAL
Álvaro Vidal ressalta que o documentário da TV3 permitiu que várias famílias descobrissem que as mortes de seus filhos, oficialmente registradas como acidentes, eram na verdade suicídios resultantes de abusos sofridos no quartel.
"Há uma continuidade institucional além de cada governo específico, e isso obriga o governo de Sánchez a ouvir as demandas das pessoas afetadas, estabelecer as responsabilidades políticas correspondentes e ajudar a esclarecer as responsabilidades criminais, se houver", adverte o deputado republicano.
Nesse contexto, a ERC quer que o Congresso exorte o governo a abrir uma investigação "independente" para esclarecer os casos documentados e garantir a proteção das vítimas e testemunhas. Seu objetivo é que o governo "reconheça publicamente os fatos", identifique os "líderes políticos e militares envolvidos" e tome "as medidas legais necessárias para determinar quem é o responsável".
Eles também exigem que sejam estabelecidos mecanismos de reparação moral e econômica para as vítimas e suas famílias, incluindo assistência jurídica e apoio psicológico.
"Temos um firme compromisso com a memória, a justiça social e a defesa dos direitos humanos, e exigimos que esses atos não fiquem impunes". "Não podemos permitir que o silêncio e a impunidade perpetuem uma realidade que destruiu a vida de tantas pessoas", disse o deputado republicano.
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