Alejandro Martínez Vélez - Europa Press - Arquivo
MADRID, 23 abr. (EUROPA PRESS) -
A Esquerra Republicana e a Junts querem que o Ministro do Interior, Fernando Grande Marlaska, e o Secretário de Estado da Segurança, Rafael Pérez Ruiz, compareçam ao comitê do Congresso que investiga os chamados "esgotos" do Estado e, além disso, a ERC quer que o Governo informe sobre o uso que fez do software israelense "Pegasus", com o qual tanto os líderes pró-independência quanto os membros do próprio Executivo, incluindo o Presidente Pedro Sánchez, foram espionados.
Até agora, essa comissão se concentrou nas investigações da chamada "Operação Catalunha", mas, depois que o Congresso deixou expirar a comissão criada especificamente para investigar o "caso Pegasus", esse órgão também assumiu a espionagem de políticos e ativistas com o "malware" mencionado acima. Isso aconteceu em outubro passado, mas até agora não houve nenhuma solicitação específica de audiências ou documentação relacionada a essa espionagem.
Esse caso teve início em 2023, depois que se soube que um grande número de políticos pró-independência na Catalunha, incluindo o então presidente da Generalitat Pere Aragonés, havia sido espionado por esse programa israelense, que aparentemente foi usado pela CNI. Um relatório do governo também revelou que os celulares do próprio Sánchez e de alguns de seus ministros também haviam sido infectados. O governo teve que comparecer ao Parlamento e negou ter espionado políticos, mas a pressão dos grupos pró-independência levou à substituição do diretor da CNI, Paz Esteban.
Nesse período de solicitações, o PSOE não quis registrar novos pedidos de comparecimento ou documentação e terá de negociar com seus parceiros as medidas a serem tomadas, mas fontes socialistas já presumem que pelo menos o chefe do Ministério do Interior terá de ser interrogado.
OS RESPONSÁVEIS PELA CNI
De acordo com a lista de pedidos dos grupos, à qual a Europa Press teve acesso, apenas o PP pediu para chamar Pedro Sánchez. A ERC o incluiu na lista que apresentou no ano passado para a comissão específica sobre "Pegasus", mas agora optou por deixá-lo de fora, assim como outros ministros espionados, como a chefe da Defesa, Margarita Robles, ou a ex-chefe da Economia, Nadia Calviño.
Além de Marlaska, o PP está considerando chamar o chefe da Defesa, o chefe da Presidência e da Justiça, Félix Bolaños, e a ex-ministra das Relações Exteriores, Arancha González Laya. E concorda com a ERC que o testemunho de Paz Esteban e de sua sucessora à frente do Centro Nacional de Inteligência (CNI), Esperanza Casteleiro, deve ser obtido. Além disso, Esquerra sugere a convocação de Félix Sanz Roldán, que foi responsável pelos espiões entre 2009 e 2019.
Por sua vez, Junts inclui não apenas o nome do atual Secretário de Estado de Segurança, mas também o de sua antecessora, a socialista Ana Botella. Inicialmente, eles haviam solicitado a convocação dos ex-presidentes da Generalitat Quim Torra e Carles Puigdemont - que também deverá ser interrogado na comissão que investiga os ataques do 17A - mas agora não os incluíram. Eles querem interrogar o advogado Andreu Van Den Eynde, que atuou como conselheiro do líder do ERC, Oriol Junqueras, e também foi espionado, além de vários especialistas no caso.
Além disso, o ERC quer que a comissão peça a várias instituições que enviem cópias de toda a documentação em seus arquivos sobre o acesso das autoridades espanholas aos sistemas de computador de ativistas, advogados, jornalistas ou líderes políticos por meio do Pegasus ou do programa Candiru.
DADOS DA SUPREMA CORTE, DA AUDIÊNCIA NACIONAL OU DA COMISSÃO EUROPÉIA
Especificamente, eles pedem que esses dados sejam solicitados ao Governo em geral, ao Ministério do Interior, à Polícia e à Guarda Civil, à Suprema Corte, ao Tribunal Nacional, ao Tribunal de Contas, ao Parlamento Europeu e à Comissão Europeia, entre outras instituições.
Esquerra também sugere que o Congresso solicite toda a documentação, gravações, relatórios e investigações de monitoramento policial de políticos, partidos e entidades civis, bem como ordens e instruções dadas a esse respeito entre 2012 e 2023.
Ele também quer ter acesso a toda a documentação relacionada à espionagem do ex-presidente catalão Pere Aragonès no caso aberto em Barcelona e à perícia realizada pelos Mossos que atesta a infecção dos telefones celulares da deputada Diana Riba e do deputado no Parlamento Josep Maria Jové i Lladó.
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