Ele também incentiva Sanchez a pedir à FIFA que suspenda a escolha da Arábia Saudita para a Copa do Mundo de 2034.
MADRID, 2 maio (EUROPA PRESS) -
A Esquerra Republicana argumentará na próxima semana no Congresso que o governo deve tomar medidas para evitar possíveis violações dos direitos humanos na preparação e realização da Copa do Mundo de 2030, que a Espanha sediará juntamente com Portugal e Marrocos, uma vez que no país do Magrebe existem "severas limitações à liberdade de expressão e reunião" e as relações homossexuais continuam a ser legalmente perseguidas.
A proposta não legislativa, que será debatida na próxima terça-feira na Comissão de Relações Exteriores, também incentiva o governo a exigir que a Federação Internacional de Futebol (FIFA) suspenda a escolha da Arábia Saudita como país-sede da Copa do Mundo de 2034.
Em sua iniciativa, à qual a Europa Press teve acesso, a ERC lamenta que até agora nenhuma das três federações de futebol que organizam a Copa do Mundo de 2030 tenha "expressado a intenção de garantir os direitos humanos" e, portanto, pede ao governo que aja.
Na opinião dos signatários da iniciativa - Francesc-Marc Álvaro Vidal, Jordi Salvador i Duch e Etna Estrems Fayos - o Executivo deve "estabelecer estratégias e compromissos vinculativos" para evitar essas possíveis "violações dos direitos humanos em relação à Copa do Mundo de 2030 no Marrocos, Espanha e Portugal".
CONDIÇÕES DE TRABALHO DOS MIGRANTES
Eles também querem que o Congresso exorte o governo a exigir que a FIFA suspenda a escolha da cidade-sede da Copa do Mundo de 2034 "até que seja garantida a proteção dos direitos humanos e das condições de trabalho dos trabalhadores, especialmente os de origem migrante".
Esquerra menciona o precedente do Qatar, país que discrimina as mulheres e o coletivo LGTBIQ+, e que sediou a Copa do Mundo de 2022, e lembra que, segundo o jornal britânico 'The Guardian', desde que a FIFA escolheu essa sede até 2021, "6.500 trabalhadores migrantes morreram naquele país, muitos dos quais estavam lá em regime de semiescravidão, trabalhando na construção da infraestrutura necessária para a realização da Copa do Mundo".
Agora, eles temem que o mesmo possa acontecer na Arábia Saudita e denunciam que, apesar de a FIFA ter sido um dos primeiros órgãos esportivos internacionais a incorporar critérios de direitos humanos em seu processo de escolha de sedes, "nenhuma das práticas documentadas pela Anistia Internacional, Human Rights Watch e outros foram um impedimento" para a concessão da Copa do Mundo à Arábia Saudita.
POTENCIAL DESASTRE HUMANITÁRIO
Nesse contexto, o relatório observa que a Anistia Internacional já alertou sobre os "grandes riscos humanos" envolvidos na construção e reforma de onze estádios para a Copa do Mundo de 2034.
"O sistema de patrocínio baseado na exploração do trabalho não foi reformado, não foram introduzidas medidas para evitar mortes de trabalhadores e não foi estabelecido um salário mínimo para os não nacionais. Estamos mais uma vez diante de um possível desastre humanitário em um país onde mais de 1,8 milhão de trabalhadores migrantes vivem no setor de construção", afirma o ERC.
"Tudo isso em um país onde os direitos humanos são continuamente violados, onde a tortura foi normalizada em interrogatórios e sentenças criminais, onde as mulheres estão sob a proteção de seus maridos e onde a discriminação contra o coletivo LGTBIQ+ está na ordem do dia", acrescentam os deputados republicanos.
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