Publicado 15/11/2025 06:03

Equador vai às urnas para decidir sobre uma nova constituição e o retorno de bases estrangeiras

Os equatorianos também votam na eliminação do financiamento para partidos políticos e na redução do número de membros da assembleia.

Noboa, "otimista" com o resultado final das urnas, enquanto o Correísmo denuncia a "distração" que não gera soluções

Archivo - QUITO, 17 de setembro de 2025 -- Forças armadas equatorianas mantêm a ordem em Quito, Equador, em 16 de setembro de 2025.   O presidente do Equador, Daniel Noboa, declarou estado de emergência de 60 dias em sete províncias na terça-feira, citand
Europa Press/Contacto/Ricardo Landeta - Arquivo

Os equatorianos também votam na eliminação do financiamento para partidos políticos e na redução do número de membros da assembleia.

Noboa, "otimista" com o resultado final das urnas, enquanto o Correísmo denuncia a "distração" que não gera soluções

MADRID, 15 nov. (EUROPA PRESS) -

Os equatorianos vão às urnas neste domingo para votar em um referendo e em uma consulta popular promovida pelo presidente, Daniel Noboa, com a qual ele busca modificar a estrutura política e constitucional do país latino-americano em prol de maiores ferramentas para governar, e que incluem o retorno de bases militares estrangeiras ao território, em um contexto de insegurança que coloca o Equador como o país mais violento da região.

Os eleitores - há quase 14 milhões de pessoas na lista eleitoral nas 24 províncias onde o voto é obrigatório para maiores de 18 anos e menores de 65 anos - encontrarão quatro perguntas na cédula eleitoral (três perguntas de referendo e uma pergunta de consulta popular). Caso as propostas sejam aprovadas dessa forma, as decisões serão vinculantes e se tornarão obrigatórias para o Estado.

A campanha pelo "Sim" é liderada pela Ação Democrática Nacional (ADN) do presidente do país, Daniel Noboa, enquanto a Revolução Cidadã (RC) pró-correista, a principal força de oposição, e a Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE), juntamente com organizações sociais e sindicatos, rejeitam as propostas.

Embora o presidente tenha se mostrado "otimista" quanto ao possível resultado do processo eleitoral, os partidários de Correa denunciam o fato de Noboa estar gastando milhões de dólares em uma convocação eleitoral que ele descreve como uma "distração" e que não gera soluções. Ele também argumentou que a atual Constituição é "garantidora" e "gera" um estado de direito que defende as minorias, e afirma que o governo pretende privatizar a educação e a saúde.

Essa votação ocorre em um contexto de escalada sem precedentes da violência no Equador, atribuída ao avanço do tráfico de drogas e de grupos criminosos. Com a declaração de conflito armado interno - e o consequente estado de emergência em grande parte do país - a designação de gangues criminosas como grupos terroristas não foi suficiente para reduzir as taxas de homicídio.

As operações conjuntas entre militares e policiais, a base da repressão, tiveram apenas um sucesso fugaz em 2024, mas o aumento dos assassinatos fez de 2025 o ano mais violento de sua história, afetando a população civil presa entre grupos violentos que lutam pelo controle territorial.

BASES MILITARES

A primeira pergunta, identificada como Box A, questiona: "Você concorda com a remoção da proibição de estabelecer bases militares estrangeiras ou instalações estrangeiras para fins militares e de ceder bases militares nacionais a forças armadas ou de segurança estrangeiras, alterando parcialmente a Constituição de acordo com o Anexo à pergunta?"

Esse anexo observa que, embora seja "dever primordial do Estado garantir a seus habitantes o direito a uma cultura de paz, à segurança abrangente e a viver em uma sociedade democrática livre de corrupção", a situação da segurança "exige a adoção de várias estratégias contra as diferentes formas de crime organizado".

Isso envolve o envio de tropas estrangeiras para o território equatoriano com o objetivo declarado de combater o crime, mas os oponentes dessa medida denunciam que ela compromete a soberania do país, favorece interesses externos e não aborda as causas estruturais da violência. Em particular, o governo equatoriano planeja que os Estados Unidos instalem duas bases em seu território: em Manta e Salinas (oeste), embora também tenha confirmado conversas com o Brasil para cooperação na área de segurança.

De fato, nas últimas semanas, a Secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, visitou o país latino-americano e percorreu os dois locais com Noboa. Quanto a Manta, ela já abrigou uma base militar dos EUA - um posto operacional avançado do Comando Sul - por dez anos, entre 1999 e 2009, quando as autoridades equatorianas assumiram o controle total das instalações militares localizadas na costa do Pacífico.

As bases militares estrangeiras foram proibidas por lei em 2008, durante o governo de Rafael Correa, mas agora o Equador voltou a ser um dos principais aliados de Washington na região. Especialistas apontam que a presença dos EUA na época - ligada a alegações de violações de direitos humanos - não produziu resultados decisivos em termos de apreensão de drogas.

ESFERA POLÍTICA: FINANCIAMENTO E REDUÇÃO DE MEMBROS DA ASSEMBLÉIA

A segunda pergunta questiona: "Você concorda com a eliminação da obrigação do Estado de alocar recursos do Orçamento Geral do Estado para organizações políticas, reformando parcialmente a Constituição de acordo com o Anexo à pergunta?", sugerindo que elas deveriam ser financiadas por contribuições de seus membros e apoiadores.

A terceira pergunta questiona se o eleitor "concorda em reduzir o número de membros da assembleia e que eles devem ser eleitos de acordo com os seguintes critérios: dez membros da assembleia nacional, um membro da assembleia eleito por cada província, um membro adicional da assembleia provincial para cada 400.000 habitantes de acordo com o último censo nacional".

Na prática, a eliminação do financiamento em períodos não eleitorais afetaria principalmente os partidos menores, que dependem desses recursos para permanecerem ativos fora dos períodos eleitorais, promovendo assim um espectro político menor; enquanto a redução dos membros da assembleia concentraria o poder político e limitaria a pluralidade de vozes no legislativo.

REESCREVER A CONSTITUIÇÃO?

A última pergunta, a quarta, diz: "Você concorda com a convocação e instalação de uma Assembleia Constituinte, cujos representantes sejam eleitos pelo povo equatoriano (...) para redigir uma nova Constituição da República, que entrará em vigor somente se for posteriormente aprovada pelo povo equatoriano em um referendo"?

A convocação de uma Assembleia Constituinte é o primeiro passo para reescrever a Constituição de 2008. Caso a maioria dos equatorianos seja favorável, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) deverá organizar uma segunda votação para que os próprios eleitores selecionem as pessoas que serão encarregadas de redigir a nova Constituição. Quando o novo texto tiver sido redigido, os cidadãos terão que votar uma terceira vez, dessa vez para decidir se aprovam a proposta.

Se o resultado for positivo, ele será interpretado como um endosso à administração de Noboa, e é por isso que é considerado um referendo. De fato, ao tentar desfazer algumas das políticas herdadas de Correa - como a proibição de tropas estrangeiras ou a atual Carta Magna - ela também pode ser vista como uma pesquisa de opinião pública sobre o ex-presidente.

Essa eleição é o décimo quinto processo de democracia direta em nível nacional desde 1978: oito presidentes recorreram a esses mecanismos. O ex-presidente Rafael Correa (2007-2017) foi o presidente que realizou o maior número de eleições, com quatro. Nesta ocasião, é a segunda consulta que Noboa convoca desde que chegou ao poder, já que em abril de 2024 ele fez onze perguntas sobre segurança e reformas institucionais, nas quais o "sim" venceu em nove delas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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