Europa Press/Contacto/Maksim Konstantinov
MADRID 5 maio (EUROPA PRESS) -
O Governo do Equador anunciou nesta segunda-feira que reduzirá para 75% as tarifas aplicadas às importações provenientes da Colômbia, apenas quatro dias após a entrada em vigor da tarifa de 100% anunciada em abril passado pelo país andino, que alegou na época uma suposta “falta de implementação de medidas concretas e eficazes em matéria de segurança de fronteiras”.
“Por disposição do presidente da República (do Equador), Daniel Noboa Azin, o Equador reduzirá para 75% a taxa de segurança sobre as importações provenientes da Colômbia”, indicou a Presidência do país em um comunicado no qual precisou que a medida entrará em vigor “a partir de 1º de junho de 2026”.
Essa decisão, conforme indica o referido texto, “ratifica a abertura” de Quito para “avançar em direção a mecanismos de cooperação bilateral em matéria de segurança, promovendo uma maior articulação entre ambos os países e fortalecendo o desenvolvimento da zona de fronteira”. Tudo isso em meio a uma guerra comercial travada entre esses dois países que compartilham uma fronteira de cerca de 586 quilômetros, na qual são afetados produtos colombianos como cosméticos, plásticos, peças automotivas ou medicamentos, conforme informa o jornal digital Primicias.
Em resposta à chamada “taxa de segurança” que Noboa elevou de 30% para 50% em fevereiro e, posteriormente, para 100%, a Casa de Nariño — que ainda não se pronunciou sobre essa questão — anunciou tarifas “inteligentes” com alíquotas diferenciadas para 191 produtos provenientes do país andino vizinho. A aplicação dessas tarifas diferenciadas — de 35%, 50% e 75% —, conforme indicou a Presidência da Colômbia em comunicado à imprensa, dependerá do “grau de produção e abastecimento interno”, sendo, além disso, “temporária enquanto estiver em vigor a decisão tarifária do país vizinho”.
No caso das tarifas de 35%, são afetados feijões, bananas, medicamentos ou preparações para alimentação animal; no caso das tarifas de 50%, as gorduras e óleos vegetais hidrogenados, interesterificados ou modificados, os pneus, diferentes tipos de papel ou os sacos e sacolas tecidos para embalagem; e no caso das tarifas de 75%, diferentes variedades de arroz, óleo de palma, açúcar, café, cacau em pó, utensílios de cozinha e gasolina, entre outros.
Embora o governo liderado pelo presidente colombiano, Gustavo Petro, ainda não tenha respondido ao anúncio de Quito, a candidata do Centro Democrático — de direita — à presidência do país, Paloma Valencia, que afirmou ter mantido uma conversa telefônica com Noboa na qual expressou seu “compromisso de cooperar na recuperação da segurança em ambos os lados da fronteira”, caso vença as eleições presidenciais do próximo dia 31 de maio.
“O presidente Noboa tomou a decisão de reduzir as tarifas de 100% para 75% como demonstração de sua boa vontade de trabalhar com o próximo governo”, afirmou Valencia em uma mensagem publicada nas redes sociais, na qual considerou que “os danos causados ao sudoeste do país são terríveis” e que isso constitui “mais uma demonstração da incapacidade de Petro de resolver a questão” e de que “sempre lhe importou mais favorecer os criminosos do que cooperar com líderes vizinhos para combatê-los”.
As relações entre Valencia e Noboa têm sido alvo de críticas, nos últimos dias, por parte do chefe do Executivo colombiano, que mantém grandes tensões com seu homólogo em Quito, a ponto de ter anunciado uma ação penal contra este último após ter questionado uma suposta reunião de Petro com o narcotraficante equatoriano José Adolfo Macías Villamar, conhecido como 'Fito'.
"Setores da extrema direita na Colômbia que viajaram para Miami e Quito construíram uma espécie de estratégia para que a extrema direita de (o ex-presidente Álvaro) Uribe com sua candidata (Paloma Valencia), esquecendo que é essa extrema direita colombiana a principal aliada do narcotráfico”, afirmou ontem o próprio líder colombiano em uma mensagem publicada nas redes sociais, na qual reiterava sua hipótese de que a “aliança Uribe/Noboa” busca “atacar as eleições”.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático