MINISTERIO DEL INTERIOR DE ECUADOR
MADRID, 21 mar. (EUROPA PRESS) -
A Procuradoria-Geral do Equador manifestou sua preferência para que as autoridades judiciais espanholas neguem o pedido da defesa do líder do cartel Los Lobos, Wilmer Chavarría Barré, conhecido como “Pipo”, detido na Espanha, para receber seu depoimento no qual acusa o presidente do Equador, Daniel Noboa, de ordenar o assassinato do candidato presidencial Fernando Villavicencio em 2023, embora deixe a decisão final a cargo da Espanha.
O Equador manifestou “sua recusa em atender ao pedido do advogado, em aplicação do princípio da especialidade, que limita o uso das informações exclusivamente ao objeto da API solicitada”, observou a Procuradoria, referindo-se à sigla de Assistência Penal Internacional, um mecanismo de cooperação jurídica internacional. O princípio da especialidade limita o uso dos dados exclusivamente ao objeto da assistência internacional solicitada.
No entanto, a própria Procuradoria Geral do Estado esclarece que cabem às autoridades judiciais espanholas “decidir o que considerarem pertinente, de acordo com seu ordenamento jurídico nacional”.
O partido de oposição Revolução Cidadã alertou que “alguém não quer que o país saiba toda a verdade” e seu líder e ex-presidente Rafael Correa argumentou que “a Procuradoria Geral do Estado reconhece que não quer que sejam entregues a transcrição e o áudio do depoimento de ‘Pipo’, onde ele acusa diretamente Daniel Noboa de ser traficante de drogas e o autor intelectual do assassinato de Fernando Villavicencio”.
Chavarría acusou Noboa na quinta-feira de ordenar o assassinato do candidato à presidência durante um interrogatório perante um tribunal de Saragoça, onde permanece preso desde novembro de 2025, após uma operação conjunta das polícias espanhola e equatoriana.
Alias “Pipo”, outrora um dos narcotraficantes mais procurados da América Latina, negou seu envolvimento no crime contra Villavicencio e respondeu apenas às perguntas de seu advogado e da Promotoria espanhola, mas não às 24 enviadas pelas autoridades equatorianas, conforme relatado pelo “El Periódico de Aragón”.
Chavarría afirmou que uma pessoa próxima ao atual ministro do Interior do Equador, John Reimberg, lhe revelou que o assassinato de Villavicencio foi por ordem de Noboa. Assim, o detido disse que o presidente classificou sua captura como “o alvo de maior valor” do Executivo e indicou que o falecido deputado possuía uma gravação que implicava Noboa em um caso envolvendo menores.
Por isso, ele alertou que sua vida corre perigo se for extraditado para o Equador ou para os Estados Unidos, que consideram a Los Lobos uma organização terrorista.
O ministro Reimberg classificou o depoimento de “Pipo” como “absurdo”, garantindo que suas acusações contra Noboa se devem ao fato de ele ter “pânico” de ser extraditado e, consequentemente, preso “e que agora, sim, pague por seus crimes”. “Eles são capazes de inventar as bobagens mais sórdidas com o objetivo de fugir de sua responsabilidade. Mas digo a vocês: zero impunidade, ninguém está acima do Estado nem da lei, desta ninguém os salva”, afirmou nas redes sociais.
Por sua vez, uma das filhas do líder assassinado, Amanda Villavicencio, respondeu em sua conta no X com um “miseráveis”. “Vamos vê-los cair. Os Lobos e o correísmo estão desesperados”, acrescentou. Sua irmã Tamia, na mesma rede social, ressaltou que “os mafiosos encurralados só sabem dar tiros nos próprios pés”.
“Eles nem conseguem se entender. A primeira versão que tentaram impor comprando testemunhas é que tinha sido (o ex-presidente equatoriano Guillermo) Lasso, agora Noboa. Por sorte, meu pai deixou isso bem claro”, destacou ela, anexando um vídeo de seu pai no qual ele afirmava que “que os correístas e o país saibam que o que acontecer comigo pessoalmente, com meus colegas de trabalho, com minha família, a culpa é de vocês”.
Em outubro passado, uma juíza mandou para a prisão preventiva os dois supostos mandantes do assassinato, em agosto de 2023, do candidato presidencial Villavicencio — o empresário Xavier Jordán e José Serrano, que foi duas vezes ministro nos governos do ex-presidente Rafael Correa —, ocorrido a apenas onze dias das eleições, revelando o grave problema de segurança no país latino-americano.
Vale lembrar que, por esse crime, já foi condenado como autor material outro líder dos Lobos, Edwing Angulo, conhecido como “Invisible”, além de outras quatro pessoas.
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