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MADRID, 17 abr. (EUROPA PRESS) -
O enviado dos Estados Unidos para a Síria e embaixador na Turquia, Tom Barrack, defendeu nesta sexta-feira que um modelo autocrático é o único sistema que parece funcionar para estabilizar uma região onde as revoluções da Primavera Árabe do início da década passada se "evaporaram", em sua opinião.
“Vão me criticar por dizer isso, porque é antidemocrático”, afirmou Barrack, elo fundamental entre Washington, a Turquia, Israel e o atual governo sírio, “mas a única coisa que funcionou, a única, são os regimes com uma liderança poderosa: ou uma monarquia benevolente ou uma república monárquica”.
“Todo o resto, essa Primavera Árabe, se dissipou e evaporou, e os países que se vestiram com essa máscara de democracia fracassaram”, acrescentou durante sua participação no Fórum Diplomático de Antália, realizado na cidade turca.
“Esta parte do mundo só respeita uma coisa”, concluiu, “e é o poder, porque sem poder você será pego de surpresa, e a Síria é um grande exemplo disso”.
A SÍRIA FUNCIONA GRAÇAS A UM “LÍDER PODEROSO”
O embaixador aproveitou para elogiar a figura do presidente sírio Ahmed al Shara, que liderou, no final de 2024, à frente do grupo jihadista Hayat Tahir al Sham (HTS), a ofensiva final que acabou derrubando o então governante Bashar al Assad e meio século de controle familiar sobre o país.
A nova Síria funciona porque existe um “líder poderoso, forte e corajoso com quem as pessoas podem discordar, mas veem que ele está conduzindo o país para algum lugar”.
Além disso, Barrack tentou minimizar o conflito aberto entre Israel e o governo de Al Shara, especialmente desde que o Exército israelense passou a ocupar territórios sírios além da linha de separação estabelecida em 1974 pelas Nações Unidas, aproveitando-se justamente do avanço do HTS.
Desde então, Israel atacou a Síria várias vezes sob o argumento de que lá continuam operando células pertencentes às milícias palestinas do Hamas ou da Jihad Islâmica. No entanto, o presidente sírio não foi além de uma denúncia verbal.
“O regime de Al Shara não disparou um único tiro contra Israel, muito pelo contrário”, avaliou o embaixador, “uma postura brilhante, pois enfrentar Israel não leva a lugar nenhum”.
Barrack tentou justificar que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, considera a comunidade drusa da Síria como os “primos” de Israel, um argumento que levou o governante a agir “sem se importar com fronteiras ou delimitações”, uma atitude que os sírios têm lidado com “enorme paciência”, dada a complexidade de uma questão que, segundo ele, espera que se normalize em breve.
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