Eduardo Hidalgo / Zuma Press / Europa Press
O Ministério das Relações Exteriores do Chile o convocou para solicitar informações sobre possíveis antecedentes desses episódios
MADRID, 9 set. (EUROPA PRESS) -
O embaixador dos Estados Unidos no Chile, Brandon Judd, afirmou nesta terça-feira que, de acordo com as agências de inteligência de seu país, teriam sido “ativistas de esquerda” os responsáveis pelos distúrbios ocorridos durante a onda de protestos sociais no país sul-americano em 2019, ano em que o povo chileno saiu em massa às ruas para protestar contra o aumento dos preços do transporte público, dando início a mobilizações que se estenderam por vários meses, canalizando o descontentamento com a desigualdade no país.
“Em 2019, o que nossa inteligência nos diz é que, categoricamente, isso partiu de organizações de esquerda ou de ideologia de esquerda”, afirmou a chefe da Representação dos Estados Unidos no Chile em entrevista à rede CNN, na qual ressaltou que “sem dúvida, as evidências indicam que foram ativistas de esquerda que perpetraram” os distúrbios registrados na época no país.
Em seguida, após ser questionada novamente pela entrevistadora sobre se possui informações dos serviços de inteligência norte-americanos que revelem que tais protestos partiram de forças de esquerda, Judd ressaltou que “absolutamente”.
“Quando nossas agências de inteligência analisam — e, quando digo ‘analisam’, não quero dizer que tenham vindo ao Chile para fazer isso —, mas quando fazemos uma análise do que ocorreu em 2019, sem dúvida as evidências apontam que foram, de fato, ativistas de esquerda que perpetraram esses distúrbios ou as perturbações que foram observadas”, destacou o diplomata.
Quanto à citada “análise específica” supostamente realizada sobre essa questão pela inteligência norte-americana, Judd observou que, embora não a tenha entregue à Justiça chilena, abriu a possibilidade de fazê-lo no futuro.
“Não entreguei essas informações à Justiça chilena. Pelo que sei, o que ocorreu em 2019 não está em disputa neste momento”, admitiu ele, observando, por sua vez, que se o governo “se aproximasse” dos Estados Unidos e “solicitasse informações específicas de inteligência”, por serem “nações que compartilham informações de inteligência”, isso poderia ocorrer, embora, precisou ele, não tenha conhecimento de que exista um pedido nesse sentido.
MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES CONVOCA O EMBAIXADOR PARA SOLICITAR INFORMAÇÕES
Na sequência dessas declarações, o Ministério das Relações Exteriores do Chile se pronunciou, convocando Judd para solicitar informações sobre os antecedentes relacionados aos episódios de violência ocorridos na época no país.
“O Ministério das Relações Exteriores convocou para esta quarta-feira o embaixador dos Estados Unidos no Chile, Brandon Judd, para solicitar informações sobre os antecedentes relacionados aos episódios de violência ocorridos em 18 de outubro de 2019 e nos dias subsequentes”, informou o ministério chileno em um comunicado.
Em seguida, o ministério classificou como de “máxima importância” todas as informações que “contribuam para esclarecer os fatos ocorridos durante esse período e colocá-las à disposição das instâncias competentes para identificar os responsáveis pelos atos de violência”.
De acordo com um relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), vários grupos atacaram, em 2019, espaços privados, locais de culto e infraestrutura pública, bem como meios de comunicação. Da mesma forma, o relatório determinou que, por sua vez, as forças de segurança agiram “de forma desproporcional” e houve um “uso excessivo da força” por parte do Estado, então liderado pelo ex-presidente Sebastián Piñera, que declarou estado de emergência e toque de recolher para conter as manifestações.
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