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MADRID 5 set. (EUROPA PRESS) -
O embaixador dos Estados Unidos na Turquia, Tom Barrack, instou as autoridades turcas a não considerarem como uma avaliação sobre o país as novas sanções anunciadas por Washington contra o banco turco Golden Global Bank e duas de suas filiais por sua suposta participação na movimentação de fundos em nome da Força Quds da Guarda Revolucionária do Irã.
Barrack defendeu que a medida adotada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos deve ser entendida como uma ação direcionada especificamente contra a conduta de uma entidade e não contra o sistema financeiro turco como um todo.
“Seria um grave erro” interpretar as sanções como um julgamento sobre a Turquia, insistiu o embaixador, que ressaltou que o objetivo de Ancara deve ser preservar um sistema bancário “limpo, confiável e fora do alcance daqueles que o abusariam”.
“A saúde do sistema financeiro turco não está em questão; o que estava em jogo era a conduta de uma instituição”, escreveu Barrack em uma postagem nas redes sociais, na qual também destacou que “a relação entre os Estados Unidos e a República da Turquia é muito mais ampla do que qualquer instituição ou qualquer dia”.
O diplomata situou a decisão norte-americana no contexto da estratégia de pressão máxima contra o Irã. “A campanha de pressão máxima de Washington contra o regime iraniano depende do fechamento, um por um, dos canais pelos quais Teerã lava os lucros de suas atividades”, continuou ele.
“Essa designação visa a conduta de uma entidade, não de uma nação, nem de um sistema bancário, nem de um aliado”, acrescentou Barrack, defendendo a ação do Tesouro como uma aplicação da legislação norte-americana destinada a proteger a integridade do sistema financeiro internacional.
Segundo o embaixador, Washington e as autoridades turcas mantiveram contatos diretos e contínuos durante o processo relacionado às sanções. Barrack também elogiou a resposta de Ancara, ao considerar que as autoridades turcas optaram por abordar as questões levantadas e reforçar os mecanismos de transparência.
Nesse sentido, ele apresentou a cooperação entre os dois países como uma demonstração da solidez de sua relação bilateral e rejeitou a ideia de que as divergências em torno de questões financeiras devam ser necessariamente interpretadas como uma deterioração da aliança.
“No que diz respeito à estabilidade da região e à segurança das rotas e do comércio dos quais dependem nossos dois povos, os Estados Unidos e a Turquia estão do mesmo lado, como já estiveram em provações mais difíceis do que esta”, destacou o embaixador norte-americano.
Por fim, Barrack defendeu que a gestão conjunta do episódio pode contribuir para fortalecer a relação entre Washington e Ancara. Em sua opinião, a atuação dos Estados Unidos, a resposta das autoridades turcas e o compromisso compartilhado com uma maior transparência podem acabar sendo uma demonstração da capacidade de ambos os países de enfrentarem conjuntamente situações de tensão.
Essas declarações ocorreram após a imposição de sanções pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos contra o banco turco Golden Global Bank, acusado de facilitar o financiamento das estruturas que protegem os ativos do Irã no exterior, enquadrando a medida em sua “guerra econômica” contra Teerã.
Como consequência dessa ação, todos os ativos do Golden Global Bank foram congelados em território norte-americano e todas as operações relacionadas ao banco com sede em Istambul foram proibidas.
De acordo com as investigações de Washington, o Golden Global Bank teria sido criado “com o objetivo de permitir que a rede de intermediários financeiros iranianos transferisse as receitas do petróleo da China para a Turquia, onde, posteriormente, os cambistas dessa rede poderiam convertê-las em dinheiro e ouro”. Além disso, segundo a Casa Branca, a instituição turca teria facilitado “conscientemente” transferências para contas sob o controle das Forças Quds da Guarda Revolucionária do Irã.
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