MADRID 19 jun. (EUROPA PRESS) -
O embaixador da União Europeia em Israel, Michael Mann, relembrou nesta sexta-feira que sua posição oficial é que o governo israelense não promove a segregação étnica ou racial, ou seja, não se trata de um “Estado do apartheid”; um episódio de tensão que envolveu, nesta semana, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas.
De fato, a alta representante da União Europeia para a Política Externa evitou, nesta quinta-feira, confirmar se, durante uma reunião a portas fechadas, comparou Israel ao regime do apartheid na África do Sul — uma acusação que levou o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, a anunciar o rompimento dos contatos com Kallas.
Em entrevista ao “Jerusalem Post”, Mann ressalta que todo esse episódio de tensão tem origem em declarações anônimas de terceiros e que Kallas nunca abordou explicitamente essa questão.
“Não vou comentar uma citação não oficial de um funcionário anônimo que afirmou que isso foi dito. Simplesmente não posso fazer comentários a respeito”, explicou Mann antes de deixar “absolutamente claro” que “não é política oficial da União Europeia considerar Israel um Estado de apartheid”.
A tensão existe, de qualquer forma. Embora não tenha abordado diretamente a questão, Kallas se manifestou nas redes sociais para insistir que a posição oficial da União Europeia defende uma solução de dois Estados e se opõe aos assentamentos israelenses declarados ilegais pelo direito internacional.
“Eu estaria mentindo se dissesse que a relação não está passando por um período mais difícil neste momento”, admitiu Mann a esse respeito. “Do ponto de vista da mídia israelense, pode parecer que tratamos Israel com especial injustiça, mas baseamos nossas políticas na forma como avaliamos a situação no terreno”, acrescentou.
Mann aproveitou para condenar a violência dos colonos israelenses na Cisjordânia. “Estamos muito preocupados”, disse Mann. “Foram registrados vários casos de extremistas violentos que invadiram comunidades palestinas, incendiando carros e propriedades, arrancando árvores e roubando gado”.
O embaixador, por fim, também se expressou com extrema cautela sobre os debates no seio da UE a respeito de possíveis sanções contra os ministros ultranacionalistas israelenses das Finanças e da Segurança Nacional, Bezalel Smotrich e Itamar Ben Gvir, por incitarem a violência contra os palestinos, ou restrições aos produtos israelenses provenientes dos assentamentos.
“No momento, não há acordo, mas se tivéssemos que impor sanções a pessoas, seria por ações que acreditamos violarem os direitos humanos básicos e os princípios democráticos”, explicou. Quanto aos produtos, “alguns Estados-membros apresentaram recentemente propostas para impor tarifas sobre esses produtos ou proibi-los completamente, mas isso também está sendo debatido em Bruxelas”.
Mann, por fim, pediu às autoridades israelenses que abandonem a “retórica bastante acalorada”. “Entendo que estamos em época eleitoral, mas acredito que seria útil moderar a retórica para que possamos ter um debate mais tranquilo”, concluiu.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático