Publicado 19/06/2026 14:18

O embaixador da UE lembra que a ideia de Israel como um Estado de apartheid não é uma posição oficial

18 de junho de 2026, Bélgica, Bruxelas: A Alta Representante da UE para Assuntos Externos, Kaja Kallas, participa da cúpula da UE, a reunião dos chefes de Estado e de governo da União Europeia. Foto: Michael Kappeler/dpa
Michael Kappeler/dpa

MADRID 19 jun. (EUROPA PRESS) -

O embaixador da União Europeia em Israel, Michael Mann, relembrou nesta sexta-feira que sua posição oficial é que o governo israelense não promove a segregação étnica ou racial, ou seja, não se trata de um “Estado do apartheid”; um episódio de tensão que envolveu, nesta semana, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas.

De fato, a alta representante da União Europeia para a Política Externa evitou, nesta quinta-feira, confirmar se, durante uma reunião a portas fechadas, comparou Israel ao regime do apartheid na África do Sul — uma acusação que levou o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, a anunciar o rompimento dos contatos com Kallas.

Em entrevista ao “Jerusalem Post”, Mann ressalta que todo esse episódio de tensão tem origem em declarações anônimas de terceiros e que Kallas nunca abordou explicitamente essa questão.

“Não vou comentar uma citação não oficial de um funcionário anônimo que afirmou que isso foi dito. Simplesmente não posso fazer comentários a respeito”, explicou Mann antes de deixar “absolutamente claro” que “não é política oficial da União Europeia considerar Israel um Estado de apartheid”.

A tensão existe, de qualquer forma. Embora não tenha abordado diretamente a questão, Kallas se manifestou nas redes sociais para insistir que a posição oficial da União Europeia defende uma solução de dois Estados e se opõe aos assentamentos israelenses declarados ilegais pelo direito internacional.

“Eu estaria mentindo se dissesse que a relação não está passando por um período mais difícil neste momento”, admitiu Mann a esse respeito. “Do ponto de vista da mídia israelense, pode parecer que tratamos Israel com especial injustiça, mas baseamos nossas políticas na forma como avaliamos a situação no terreno”, acrescentou.

Mann aproveitou para condenar a violência dos colonos israelenses na Cisjordânia. “Estamos muito preocupados”, disse Mann. “Foram registrados vários casos de extremistas violentos que invadiram comunidades palestinas, incendiando carros e propriedades, arrancando árvores e roubando gado”.

O embaixador, por fim, também se expressou com extrema cautela sobre os debates no seio da UE a respeito de possíveis sanções contra os ministros ultranacionalistas israelenses das Finanças e da Segurança Nacional, Bezalel Smotrich e Itamar Ben Gvir, por incitarem a violência contra os palestinos, ou restrições aos produtos israelenses provenientes dos assentamentos.

“No momento, não há acordo, mas se tivéssemos que impor sanções a pessoas, seria por ações que acreditamos violarem os direitos humanos básicos e os princípios democráticos”, explicou. Quanto aos produtos, “alguns Estados-membros apresentaram recentemente propostas para impor tarifas sobre esses produtos ou proibi-los completamente, mas isso também está sendo debatido em Bruxelas”.

Mann, por fim, pediu às autoridades israelenses que abandonem a “retórica bastante acalorada”. “Entendo que estamos em época eleitoral, mas acredito que seria útil moderar a retórica para que possamos ter um debate mais tranquilo”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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