Europa Press/Contacto/Paulo Lopes
MADRI, 30 jul. (EUROPA PRESS) -
O embaixador brasileiro na Argentina, Júlio Bitelli, não retornará a Buenos Aires por enquanto, após ter sido chamado para consultas pelo governo, enquanto se avalia a situação diplomática após o conflito gerado pelos insultos proferidos pelo presidente daquele país, Javier Milei, contra as autoridades brasileiras, incluindo seu homólogo Luiz Inácio Lula da Silva, em um evento político em São Paulo.
Bitelli chegou ao Brasil na segunda-feira e se reuniu na quarta-feira com o presidente Lula e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para analisar o ocorrido no último fim de semana naquele evento de apoio ao candidato e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, do qual Milei participou, bem como os próximos passos a serem tomados.
O embaixador permanecerá por tempo indeterminado no Brasil, aguardando a resposta da Argentina, cujo presidente não deu sinais de que pretenda se desculpar pelos insultos dirigidos não apenas a Lula, mas também ao juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Morales, responsável pelo inquérito sobre o golpe de Estado contra Bolsonaro.
Seu lugar na missão diplomática será ocupado, a partir de agora, pelo encarregado de negócios. O ministro das Relações Exteriores do Brasil descartou, por enquanto, tomar medidas mais drásticas, como a retirada da representação diplomática da Argentina, e buscará uma solução por meio do diálogo com as autoridades daquele país.
Enquanto isso, Lula optou mais uma vez por evitar o confronto dialético com Milei e, embora tenha classificado como “palhaçada” o deslize do último sábado, afirmou que não vai se irritar por causa disso e que, se o presidente argentino “demonstrar ódio”, ele responderá com “amor”.
“Minha relação é a de um chefe de Estado com o Estado. Gosto do povo argentino e não vou entrar em uma troca de farpas. Não ganho nada falando mal, porque não vou ficar irritado. Se ele fizer cara feia, eu farei cara de bom”, concluiu na quarta-feira em um evento, no qual foi confirmado que seu vice-presidente, Geraldo Alckmin, voltará a ser seu companheiro de chapa para as eleições de outubro de 2026.
Milei esteve no sábado em um comício em São Paulo apoiando a candidatura de Flávio Bolsonaro para as eleições deste ano, no qual, fiel ao seu estilo histriônico e ofensivo, chamou Lula de “presidiário” e de “lixo careca” o juiz do Supremo que conduz o processo contra o ex-presidente brasileiro, entre outras obscenidades.
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