Publicado 06/05/2026 00:54

O ELN impõe até cinco anos de "prisão revolucionária" a funcionários sequestrados a partir de 2025

Archivo - Arquivo - Guerrilheiro do Exército de Libertação Nacional (ELN) da Colômbia
CARLOS VILLALÓN - Arquivo

Além disso, "condena" dois agentes da Direção de Investigação Criminal e da Interpol a cerca de três anos de "prisão revolucionária"

MADRID, 6 maio (EUROPA PRESS) -

A guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN) informou nesta terça-feira sobre a imposição de supostas sentenças de até cinco anos de “prisão revolucionária” a dois agentes do Corpo Técnico de Investigação (CTI) do Ministério Público da Colômbia, sequestrados desde maio de 2025.

Essa “sentença” foi anunciada por membros da Frente de Guerra Oriental do ELN, após a realização de um processo denominado pelo grupo armado como “Julgamento Revolucionário” contra Jesús Antonio Pacheco Oviedo e Rodrigo Antonio López Estrada, aos quais, embora tenha indicado que não foram condenados à pena capital, foram “proferidas” contra eles “sentenças” de 60 e 55 meses de “prisão revolucionária”, respectivamente.

Essa decisão se deve ao fato de o grupo armado ter considerado ambos os funcionários “autores materiais” de “crimes de pertencimento a um órgão do Estado dedicado à prática de crimes contra a humanidade” por “desenvolverem ações de espionagem contra o ELN, envolvendo a população civil e menores de idade” e pela “execução de montagens ou falsos positivos judiciais contra a população civil”.

Ambos os “réus”, conforme indicado por um dos guerrilheiros durante a leitura do comunicado que continha este anúncio, poderão ter sua pena reduzida “pelo comportamento durante o julgamento, o cumprimento da pena, bem como pela contribuição para o esclarecimento dos fatos e condutas investigadas”. Essa redução, acrescenta o grupo, poderá ser de “até 60% da pena”.

Nessa mesma linha, o ELN aludiu à possibilidade de “deduzir o tempo que os condenados permaneceram privados de liberdade desde o momento de sua captura até a data atual como cumprimento da pena”, bem como de “conceder” a seu favor a opção de “concluir o mecanismo de troca humanitária de prisioneiros de guerra com o Governo nacional, em conformidade com os postulados políticos e humanitários” do grupo armado.

Às “condenações” de Pacheco e López, sequestrados no departamento de Arauca, no leste do país, somaram-se as de dois agentes da Direção de Investigação Criminal e Interpol (Dijin), também sequestrados em Arauca em julho de 2025. Trata-se de Franki Esley Hoyos e Yordin Fabián Pérez, que foram considerados “culpados” pelos crimes de “espionagem e traição contra o povo e o ELN”, tendo, por isso, que permanecer em “prisão revolucionária” por 36 e 32 meses, respectivamente, ou seja, até três anos.

ONDA DE CONDENAS

Este anúncio desencadeou uma onda de críticas por parte de membros do governo liderado pelo presidente colombiano, Gustavo Petro, como foi o caso do ministro da Defesa, Pedro Sánchez, que destacou que o ELN “não é nenhuma autoridade judicial”, mas sim “um cartel de narcotráfico” e “uma ameaça contra o povo colombiano”.

“As famílias dos nossos sequestrados não estão sozinhas. Todo o Estado colombiano, inclusive a comunidade internacional, está com vocês para trazer seus familiares sãos e salvos”, garantiu o chefe da pasta da Defesa em declarações coletadas pela Caracol Radio.

Por sua vez, a Defensora do Povo, Iris Marín Ortiz, classificou esses fatos como “inadmissíveis”, ao mesmo tempo em que exigiu do grupo ilegal a “liberdade imediata” dos sequestrados, bem como que o Governo nacional reforce os esforços voltados para a referida libertação, na medida em que, lamentou, as famílias têm acusado que “não houve acompanhamento suficiente” por parte do Executivo central.

“Do ponto de vista do Direito Internacional Humanitário, eles estão tentando dar uma certa legalidade à privação de liberdade dentro de seu próprio ordenamento jurídico”, considerou Ortiz, ressaltando que “o sequestro, a privação arbitrária de liberdade e a tomada de reféns” constituem um “crime” não apenas aos olhos do ordenamento nacional, mas também do internacional.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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