Publicado 21/07/2025 00:18

Eduardo Bolsonaro termina sua licença como deputado e se recusa a renunciar em meio a ameaças a De Moraes e à Polícia

Archivo - Arquivo - 20 de fevereiro de 2025, National Harbor, Maryland, Estados Unidos: Eduardo Bolsonaro fala durante o Dia 1 da Conferência CPAC 2025 no Gaylord Convention Center em National Harbor, Maryland, em 20 de fevereiro de 2025.
Europa Press/Contacto/Lev Radin - Arquivo

MADRID 21 jul. (EUROPA PRESS) -

O filho do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro e deputado federal por São Paulo, Eduardo Bolsonaro, disse no domingo que não renunciará a seu cargo e que planeja "cumprir seu mandato" por mais três meses, apesar de estar no último dia de sua licença, que pediu para ir aos Estados Unidos alegando perseguição política.

"Não vou me demitir de forma alguma. Se eu quiser, posso cumprir meu mandato, pelo menos nos próximos três meses", disse ele durante uma transmissão no YouTube acessada pelo jornal brasileiro 'Folha', ao qual ele deu uma entrevista na última quinta-feira considerando a possibilidade de deixar o cargo.

A licença solicitada pelo líder de extrema-direita termina neste domingo, embora o recesso do Congresso entre 18 e 31 de julho, somado ao limite de ausências permitidas, deva adiar a decisão sobre a possível perda de seu mandato. Nesse sentido, ele poderia faltar a mais 44 sessões plenárias, pois só assim acumularia mais de um terço do número total de sessões realizadas, condição sob a qual a retirada de seu mandato entraria em jogo.

AMEAÇA DE MORAES E A POLÍCIA COM NOVAS AÇÕES

Em outro trecho colhido pela Europa Press da transmissão do deputado brasileiro, ele advertiu o juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes que a sanção pela qual os Estados Unidos revogaram seu visto "é apenas o começo".

"O ideal seria que ele saísse da Suprema Corte. Eu vou trabalhar para isso também, tá bom, (De) Moraes? Então, quando dizemos que o visto foi só o começo, é porque nosso objetivo será tirá-lo do tribunal. Você não é digno de estar no topo do judiciário", disse ele, antes de garantir que estava "disposto a se sacrificar" por isso.

"Você não está gostando? Inclua (o presidente dos EUA, Donald) Trump na investigação, inclua toda a nossa gangue aqui de Marco Rubio, etc., e mande a Interpol atrás de nós", declarou o filho do ex-líder da extrema direita, desafiando o magistrado, a quem descreveu como "medíocre" em seus escritos.

O deputado também chegou a ameaçar qualquer pessoa da Polícia Federal que pudesse estar assistindo e gravando sua transmissão como parte da investigação contra ele: "Vamos lá, meu colega da Polícia Federal, seu cachorrinho da Polícia Federal que está me vigiando. Não me diga, irmão. Se eu descobrir quem você é, eu vou fazer alguma coisa".

O diretor-geral da polícia, Andrei Rodrigues, descreveu a intervenção de Eduardo Bolsonaro como uma "tentativa covarde de intimidação" e pediu que suas declarações fossem incluídas no processo de investigação aberto contra ele no Supremo Tribunal Federal. "Ninguém que está sendo investigado vai intimidar a Polícia Federal. Vamos instruir a investigação em curso com esse novo ataque às instituições, agora diretamente à Polícia Federal, fato que se soma aos demais que estão sendo investigados", disse ao jornal 'Folha'.

As palavras do deputado norte-americano surgem no contexto das medidas cautelares impostas contra seu pai, Jair Bolsonaro. Como resultado, seu filho, disse De Moraes, "intensificou a conduta ilícita que é objeto desta investigação, por meio de várias publicações e ataques ao Supremo Tribunal Federal nas redes sociais", de acordo com a agência de notícias brasileira.

Em maio, as ações de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos levaram o Supremo Tribunal Federal a abrir uma investigação contra ele por possíveis crimes de coação e obstrução no processo judicial referente à tentativa de golpe de 2023 contra o presidente do país, Luiz Inácio Lula da Silva, na qual seu pai, Jair Bolsonaro, está envolvido.

Por sua vez, o ex-presidente está sujeito a medidas cautelares, impostas por ordem do Supremo Tribunal Federal, que incluem tornozeleira eletrônica de rastreamento e proibição de sair de casa à noite, entre 19h e 6h, e nos finais de semana. Além disso, ele não tem permissão para falar com seu filho Eduardo ou com embaixadores de outros países, nem se aproximar de embaixadas ou consulados. Seu escritório na sede do Partido Liberal e sua casa também foram revistados pelas autoridades, que confiscaram um pen drive escondido em um banheiro, além de 14.000 dólares (12.000 euros) e 8.000 reais (1.230 euros) em dinheiro.

O ex-presidente foi acusado de liderar a organização do golpe na alegação final do promotor na segunda-feira, e também está sendo investigado por supostamente financiar um complô nos Estados Unidos - com a participação de seu filho Eduardo - para aplicar sanções contra o Brasil, como o aumento das tarifas ordenado por Trump.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contenido patrocinado