Publicado 18/06/2026 09:07

Durão Barroso afirma que “a Europa não pode esperar que Trump resolva seus problemas” e apela para que se reforce sua defesa

o ex-presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, durante a primeira jornada do Congresso “A oportunidade do futuro”, em 18 de junho de 2026, em Saragoça, Aragão (Espanha). Este encontro socioeconômico, organizado pela l
Ramón Comet - Europa Press

ZARAGOZA 18 jun. (EUROPA PRESS) -

O ex-presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, afirmou nesta quinta-feira, na primeira sessão do congresso “A oportunidade do futuro”, organizado pela Fundação Ibercaja para comemorar seu 150º aniversário, que “a Europa não pode ser o adolescente que espera que Trump resolva seus problemas” e defendeu o fortalecimento de sua defesa por meio da adoção de “um conceito abrangente de segurança”, que inclua fatores como a indústria e a tecnologia.

Durão Barroso discursou no Palácio de Congressos de Saragoça, onde destacou os valores da UE e considerou que a Europa deve apresentar “propostas”, enfatizando os direitos humanos, a democracia, o pluralismo e a dignidade da pessoa humana. Ele elogiou a recente viagem do Papa Leão XIV à Espanha.

Sobre a UE, ele pediu que “cumpramos nossas obrigações”, como a união dos mercados de capitais ou o incentivo à competitividade, chamando a atenção para a dificuldade de chegar a um acordo entre 27 países. “Precisamos da escala europeia” porque os países da União são de pequeno porte, afirmou.

Defendeu as instituições, referindo-se a um dos fundadores da Comunidade Europeia, Jean Monnet, para afirmar que “as instituições nos dão a noção do tempo, de construir algo que não é apenas para nós”.

O CONSENSO MODERADO, EM RISCO

Existe um risco para o “consenso moderado” entre a centro-esquerda e a centro-direita, expôs Durão Barroso, ressaltando que houve um consenso desde o fim da Segunda Guerra Mundial, mas hoje existe “uma fragmentação geopolítica entre os países e no interior dos países”, criando-se “uma situação de policrise”.

O ex-presidente da União Europeia mencionou três causas para a situação atual do mundo: a guerra na Ucrânia, o ataque terrorista do Hamas contra Israel e a eleição de Donald Trump, o que “está mudando a geopolítica” e responde a “uma decisão pessoal de Vladimir Putin”, indicando que pode haver uma trégua.

A guerra na Ucrânia “é a maior guerra na Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial”, afirmou ele, mencionando os investimentos em Defesa por parte da Alemanha, bem como a mudança na relação entre a Rússia e a China.

Quanto ao ataque do Hamas contra Israel, ele destacou que o objetivo estratégico de Israel “sempre foi neutralizar o Irã, pois o programa deste país visa acabar com Israel; ele não quer que Israel exista”, em seguida, lamentou a morte de inocentes em Gaza após a invasão israelense, na sequência dos atentados de outubro de 2023.

“As causas do conflito” persistem, apesar do acordo entre o Irã e os Estados Unidos, continuou Durão Barroso, que duvidou que esse acordo seja uma oportunidade para a paz no Oriente Médio, destacando “o nível indescritível de ódio” entre Israel e o Irã.

Quanto à reeleição de Trump, ele destacou que os Estados Unidos continuam sendo a primeira potência mundial e que “o que acontece nos Estados Unidos tem impacto” no resto do mundo. “Trump mudou a gramática da política, as regras da política, a comunicação e a diplomacia”, considerou o ex-presidente português.

Ele pediu ao Norte Global que “evite a arrogância, uma forma de estupidez” e assuma suas responsabilidades, e exigiu dos países do Sul que abandonem “o ressentimento”, que “não pode ser uma política”, mencionando o caso de Putin após o colapso da União Soviética.

“Existem vários futuros possíveis, o futuro está em construção, temos que nos preparar para ele, e há tendências muito fortes que podemos prever”, afirmou Durão Barroso.

O MUNDO, “VOLÁTIL E POLARIZADO”

O ex-líder lembrou que, atualmente, não representa nenhuma instituição e apresentou sua perspectiva sobre o mundo que se aproxima, ressaltando que as previsões sobre tecnologia ou política “não são uma ciência exata”, exigindo “rigor intelectual”.

“O mundo hoje é mais incerto, volátil, polarizado, imprevisível e perigoso” e, mesmo a Europa, no passado, passou por situações muito piores, mas “há algo sem precedentes”: a globalização, a escala, a velocidade, “mudanças que ocorrem simultaneamente e isso nos dá a sensação de que estamos vivendo uma ruptura”.

Em sua opinião, “se há uma transição, não sabemos para onde ela nos leva”, em alusão à ordem mundial que surgiu após a Segunda Guerra Mundial, com a “hegemonia” dos Estados Unidos, o que deu lugar ao multilateralismo: “Não sabemos qual é a nova situação e isso causa ansiedade na política e nas sociedades em geral”.

Essa ansiedade “pode alimentar o sentimento fatalista e derrotista”, alertou Durão Barroso, indicando que também há uma ansiedade psicológica, por exemplo, entre os jovens em relação ao futuro do planeta e às mudanças climáticas.

Ao mesmo tempo, está ocorrendo “uma profunda transformação da política e dos partidos políticos”, continuou ele, mencionando o surgimento do populismo e afirmando que “a democracia já não é o sistema de referência obrigatório, perdeu grande parte de seu prestígio e os populismos estão em ascensão”.

Ele se referiu à perda de esperança entre os eleitores, à competitividade com a China, ao “sinal de alarme” da COVID-19 sobre a economia e ao risco geopolítico, “fundamental na tomada de decisões dos governos e das empresas internacionais”, assim como as mudanças climáticas e a convicção de que há “uma verdadeira revolução” com a Inteligência Artificial, a computação quântica e a genética.

José Manuel Durão Barroso comentou que há “uma transformação radical em quase tudo, não apenas na economia, mas também na educação, na saúde, no aumento da capacidade cognitiva com a IA e no aumento da expectativa de vida até os 120 anos”, mas “ao mesmo tempo, há problemas muito sérios”, por exemplo, a necessidade de controlar a IA “antes que ela nos controle”.

“Hoje, nós, seres humanos, já não somos a inteligência máxima”, porque “a IA alcança resultados que os próprios criadores dessas máquinas não compreendem, uma questão que exige a máxima atenção”.

Durão Barroso chamou a atenção para a baixa taxa de natalidade e “o inverno demográfico” na UE, observando que os países europeus precisam de mais pessoas para trabalhar e “a imigração é indispensável”, ressaltando que “há limites para o multiculturalismo”, mesmo entre os países mais tolerantes, mas “ainda não encontramos uma solução para isso”, ressaltando que a falta de resolução desse conflito deu origem aos partidos anti-imigração.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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