Publicado 16/04/2025 21:00

Duas deputadas brasileiras transgênero alegam que seus vistos nos EUA as identificam como homens

A Embaixada dos EUA em Brasília defende o reconhecimento pelo governo de apenas dois sexos "imutáveis"

Archivo - Arquivo - 15 de novembro de 2024, São Paulo, São Paulo, Brasil: Sao paulo (sp), 15/11/2024 - politica/demonstração/escala/6x1 - manifestação de apoio ao projeto de lei da deputada erika hilton que visa acabar com a escala 6x1 reduzindo o limite
Europa Press/Contacto/Leandro Chemalle - Arquivo

MADRID, 17 abr. (EUROPA PRESS) -

Dois deputados transgêneros do Brasil que pretendiam viajar aos Estados Unidos denunciaram nesta quarta-feira que as autoridades desse país lhes concederam vistos que os identificam com o gênero masculino.

Erika Hilton, deputada pelo Partido Socialismo e Liberdade, fez o anúncio em sua conta na rede social X, com uma declaração na qual disse que "o governo dos Estados Unidos me classificou como "homem" quando fui obter meu visto para ir à Conferência do Brasil na Universidade de Harvard e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts".

Ela também denunciou "o nível de ódio e fixação" do governo dos EUA com pessoas trans, considerando que ela é "registrada como mulher até mesmo em (sua) certidão de nascimento".

"Em outras palavras, eles ignoram documentos oficiais de outras nações soberanas, até mesmo de um representante diplomático, para saber se a pessoa, em algum momento, teve um registro diferente", disse ela, antes de alertar sobre uma administração que "altera" os documentos oficiais dos cidadãos com base na "narrativa e nos desejos do presidente do dia para tirar seus direitos".

Ele estendeu essa advertência a uma "lista de alvos (que) continua a crescer", uma vez que faz "parte de uma agenda política global de ódio", que vai além dos Estados Unidos, embora tenha comemorado o fato de que no Brasil "já derrotamos essa agenda uma vez".

Hilton também fez alusão à embaixada dos Estados Unidos em Brasília, que já respondeu à deputada lembrando-a de que o governo norte-americano reconhece apenas dois sexos "imutáveis": masculino e feminino.

"Salientamos que, de acordo com a Ordem Executiva 14168, é política dos Estados Unidos reconhecer dois sexos, masculino e feminino, considerados imutáveis desde o nascimento", disse em declarações à Agência Brasil, referindo-se a um decreto assinado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, logo após a sua tomada de posse, em meados de janeiro, que proíbe a autoidentificação de gênero em documentos federais, como passaportes.

Horas depois, a deputada transgênero do Partido Democrático Trabalhista, Duda Salabert, denunciou os mesmos fatos. "Na semana passada, a administração Trump também me informou que meu visto será para homens", anunciou ela em sua conta na rede social X, antes de expressar sua "solidariedade" a Hilton.

Ela disse que estava aguardando a renovação de seu visto quando, "para minha surpresa - e indignação - fui informada de que meu novo visto viria com a marcação de gênero como masculino, com a "justificativa" de que é de conhecimento público no Brasil que sou uma pessoa trans".

Salabert disse que "tentou resolver o caso pelos canais diplomáticos" e denunciou as ações das autoridades americanas como "mais do que transfobia". "É uma falta de respeito à soberania do Brasil e aos direitos humanos mais básicos", declarou.

Ele também expressou sua "confiança" de que o Ministério das Relações Exteriores do país latino-americano "adotará uma posição firme", considerando esses eventos como "uma afronta a todos os brasileiros que acreditam na dignidade, no reconhecimento e no direito de existir plenamente".

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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