Publicado 27/08/2026 06:39

Duas belugas e quatro golfinhos resgatados no Canadá chegam ao Oceanogràfic de Valência após um transporte complexo

Uma associação de aquários e um consórcio internacional resgatam os animais para evitar sua eutanásia após o fechamento de um parque canadense

Um dos tratadores com a beluga
OCEANOGRÀFIC

VALÊNCIA, 27 ago. (EUROPA PRESS) -

Duas belugas e quatro golfinhos resgatados do parque Marineland, no Canadá, fechado há mais de um ano, chegaram nesta madrugada ao Oceanogràfic de Valência após um traslado internacional “complexo” para garantir seus cuidados e evitar a eutanásia.

O resgate dos seis animais faz parte de uma operação coordenada pela Associação de Zoológicos e Aquários (AZA) e por um consórcio de aquários credenciados, com a colaboração das autoridades do Canadá, dos Estados Unidos e da Espanha e o apoio da Generalitat Valenciana, conforme informou o Oceanogràfic em um comunicado.

O transporte para Valência é o quinto realizado desde o início da operação para realojar progressivamente as 30 belugas e quatro golfinhos que se encontravam no Marineland. As belugas Cleópatra e Jelly Bean, e os golfinhos Tsunami, Lida, Echo e Marina — todas as seis fêmeas — chegaram a Valência após um voo direto de sete horas saindo de Toronto, em um avião especialmente fretado para o transporte.

A operação teve início no Marineland, de onde os seis animais viajaram por rodovia até o aeroporto canadense em vários módulos “especialmente projetados” para o transporte. Durante todo o trajeto, elas foram acompanhadas por equipes veterinárias e especialistas em cuidados com animais do Oceanogràfic e de outras instituições zoológicas.

Ao chegarem ao aeroporto de Valência, a operação continuou por rodovia até o Oceanogràfic, onde os seis animais iniciaram seu processo de adaptação às novas instalações. Os animais do Marineland estão sendo transferidos para o Shedd Aquarium, o Georgia Aquarium, o SeaWorld San Antonio, o SeaWorld San Diego e o Oceanogràfic — os cinco centros credenciados pela AZA que os acolhem no âmbito da operação.

O Oceanogràfic é o único aquário europeu que participa do resgate e a única instituição zoológica do continente que possui essa acreditação.

MESES DE PREPARAÇÃO E COORDENAÇÃO

Durante meses, especialistas do consórcio de aquários trabalharam de forma coordenada no planejamento de cada transferência, atendendo às necessidades dos animais e à complexidade logística da operação.

Equipes veterinárias e técnicas do Oceanogràfic viajaram há alguns meses ao Canadá para avaliar o estado de saúde dos animais, cuja delicada situação de saúde requer “atendimento veterinário contínuo”. Antes do transporte, cada animal foi avaliado individualmente para verificar se reunia as condições adequadas para enfrentar a viagem.

Uma vez no Oceanogràfic, as equipes continuarão acompanhando de perto seu estado e evolução para conhecer melhor as necessidades de cada animal e adaptar os cuidados. Esse trabalho permitiu formar os grupos, estabelecer protocolos específicos para cada animal e definir as condições veterinárias e logísticas necessárias para as transferências, informou o aquário em um comunicado.

A composição de cada grupo de transporte levou em conta as relações sociais existentes entre os animais, com o objetivo de “manter laços pré-existentes que possam favorecer sua adaptação ao novo ambiente”.

Para Daniel García-Párraga, diretor de Operações Zoológicas do Oceanogràfic, “quando a sobrevivência dos animais está comprometida, nós, os aquários, temos a responsabilidade de colocar nossa experiência, nossas instalações e nossas equipes a serviço de sua proteção. Operações dessa complexidade exigem meses de preparação, coordenação entre instituições e acompanhamento veterinário antes, durante e após o transporte”.

O embaixador do Canadá na Espanha, Jeffery Marder, destacou que essa operação foi “extremamente importante” para garantir o bem-estar dos animais. “Isso realmente mostra a importância de uma colaboração tão forte e estamos extremamente gratos ao Oceanogràfic e a toda a equipe que tornou possível essa transferência dos animais para Valência”, disse ele, acrescentando que isso reflete a “boa colaboração” entre os dois países.

ADAPTAÇÃO AO NOVO AMBIENTE

Nas próximas semanas, as equipes do Oceanogràfic acompanharão a adaptação dos seis animais ao novo ambiente e observarão, individualmente, sua alimentação, comportamento e relações sociais.

A chegada ao Oceanogràfic marca o início de uma nova fase do processo, “sem prazos pré-determinados e marcada pela evolução e pelas necessidades de cada animal”, especificou o centro. Por isso, os animais permanecerão em áreas não visíveis ao público “para favorecer sua aclimatação e facilitar o acompanhamento por parte das equipes”.

Dependendo de sua evolução, serão definidos progressivamente os próximos passos e sua integração com o restante dos animais do Oceanogràfic.

OUTROS PROGRAMAS

A participação do Oceanogràfic nessa operação se soma a outros programas internacionais de resgate e proteção de cetáceos desenvolvidos nos últimos anos. Em junho de 2024, o aquário de Valência trabalhou em conjunto com o Georgia Aquarium, o SeaWorld e a AZA no resgate das belugas Plombir e Miranda, transferidas do aquário NEMO de Kharkiv (Ucrânia), em plena guerra, para o Oceanogràfic, onde atualmente convivem com as outras belugas Kylu e Yulka.

Aquela operação representou um dos resgates de mamíferos marinhos “mais complexos” realizados na Europa e permitiu reforçar a capacidade técnica, veterinária e logística do Oceanogràfic para lidar com esse tipo de transferência. A experiência adquirida durante aquela operação também foi aplicada ao planejamento do resgate atual, especialmente nos aspectos relacionados à logística, aos cuidados veterinários e à adaptação posterior dos animais.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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