Publicado 14/05/2026 11:56

Draghi alerta que a Europa não pode contar com os EUA e que a China não é uma alternativa: "Estamos realmente sozinhos"

Archivo - Arquivo - FOTO DE DIVULGAÇÃO - 22 de outubro de 2021, Bélgica, Bruxelas: O primeiro-ministro italiano Mario Draghi participa da cúpula da União Europeia no Conselho Europeu. Foto: Mario Salerno/Conselho Europeu/dpa - ATENÇÃO: uso exclusivamente
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MADRID 14 maio (EUROPA PRESS) -

O ex-primeiro-ministro italiano e ex-presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, alertou nesta quinta-feira, durante a cerimônia do Prêmio Carlos Magno na cidade alemã de Aquisgrã, que a Europa já não pode contar com o apoio dos Estados Unidos e que a China também não é uma alternativa confiável; por isso, os europeus devem estar cientes de que, “pela primeira vez em gerações”, estão sozinhos.

“O mundo que outrora ajudou a Europa a gerar prosperidade já não existe. Tornou-se mais duro, mais fragmentado e mais mercantilista. Do outro lado do Atlântico, não podemos mais dar como certo que os guardiões da ordem do pós-guerra continuem comprometidos com a sua preservação”, afirmou o ex-líder italiano em um discurso no qual pediu que se reconheça que, “pela primeira vez desde 1949”, Washington pode “já não garantir” a segurança em condições que “antes considerávamos garantidas”.

Tudo isso em um momento em que ele considera que a China também não é uma alternativa, por ser uma potência que não compartilha valores democráticos e que mantém seu apoio à agressão russa na Ucrânia. “A China também não oferece uma alternativa. Está gerando excedentes industriais em uma escala que o mundo não pode absorver sem esvaziar nossa própria base produtiva. E está apoiando diretamente nosso adversário, a Rússia”, indicou.

Nesse sentido, num momento de “alianças mutáveis”, ele exigiu que “toda dependência estratégica seja agora reexaminada”. “Pela primeira vez em gerações, estamos realmente sozinhos juntos”, proclamou, ressaltando que a Europa enfrenta essa nova realidade, mas “com um sistema que não foi concebido para desafios dessa magnitude”.

Draghi foi agraciado com o Prêmio Carlos Magno, que reconhece a contribuição de personalidades para o projeto europeu comum e, neste caso específico, seu trabalho para garantir a competitividade e o crescimento da UE.

Governador do Banco da Itália e presidente do Banco Central Europeu (2011-2019), ele liderou um governo de unidade nacional na Itália a partir de 2021, composto por personalidades de perfil técnico e deixando de fora os principais partidos políticos, governo que durou até o ano seguinte.

MERCADO INTERNO INCOMPLETO

Em uma nota econômica, Draghi destacou “as contradições do modelo econômico europeu”, por ter derrubado barreiras comerciais para o exterior, mas “internamente nunca ter praticado plenamente a abertura”.

“Deixamos o mercado único incompleto, os mercados de capitais fragmentados, os sistemas energéticos insuficientemente conectados e amplas partes de nossa economia envoltas em camadas de regulamentação”, afirmou, apontando a “ironia” de que a Europa “confiou nos mercados para realizar uma tarefa que a autoridade política comum nunca foi plenamente capaz de desempenhar”.

“Negamos a esses mercados a escala continental de que precisavam para ter sucesso. O resultado não foi uma verdadeira economia de mercado, mas uma economia assimétrica. E dessa assimetria derivam muitas das vulnerabilidades que a Europa enfrenta hoje”, resumiu.

Dessa forma, Draghi alertou para a grande exposição à demanda externa, insistindo que o comércio elevou seu peso no PIB europeu de 31% em 1999 para 55% atualmente, o que representa uma desvantagem em relação aos Estados Unidos e à China, menos dependentes do comércio exterior.

"Nossa sensibilidade às mudanças nas políticas dos Estados Unidos e da China não é, portanto, simplesmente um azar imposto de fora. É o reflexo de nosso próprio fracasso em construir um mercado interno suficientemente profundo", destacou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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