Ele garante que a Espanha está "pagando sua dívida histórica" com a América Latina pela colonização.
OVIEDO, 21 out. (EUROPA PRESS) -
O sociólogo americano Douglas Massey, ganhador do Prêmio Princesa das Astúrias de Ciências Sociais 2025, advertiu na terça-feira que o movimento 'Make America Great Again' (MAGA) quer trazer de volta a sociedade americana dos anos 50, na qual predominavam os brancos e os negros eram segregados.
Douglas Massey participou de um evento no Parlamento das Astúrias, moderado por Hans P. van den Broek, professor de Sociologia da Universidade de Oviedo, com quem discutiu a situação atual e o futuro dos fluxos migratórios e os desafios enfrentados pelas sociedades europeias e americanas.
A maior parte do diálogo entre Massey e Van den Broek girou em torno da política de migração dos EUA. O sociólogo premiado explicou que o que está acontecendo em seu país é "uma violação da lei dos EUA e dos princípios da Constituição".
Em sua opinião, não apenas os imigrantes ilegais ou sem documentos estão sendo punidos, mas também aqueles que têm documentos e são cidadãos dos Estados Unidos. "É uma perseguição, um ataque baseado na raça, na cor da pele, procurando pessoas marrons nas cidades dos Estados Unidos e detendo-as e assediando-as", lamentou.
Assim, o sociólogo americano entende que Donald Trump é "um grande perigo" para a sociedade e a economia americanas. Assim como, em sua opinião, o movimento 'MAGA', que "outros cínicos" chamam de "Make America White Again", tornando a América "branca" novamente. "Há uma reação conservadora para voltar à década de 1950, quando os negros eram segregados e a população latina era de apenas 4% da população, e os asiáticos, 1%", acrescentou.
De acordo com Massey, a "base" de Trump - o movimento 'MAGA' - acredita que os imigrantes são "traficantes de drogas e terroristas" quando, em sua opinião, são "famílias com filhos que querem trabalhar para o bem-estar de suas famílias". "Temos que ver os imigrantes como uma oportunidade e não como uma ameaça", disse ele.
"SOMOS TODOS DESCENDENTES DE IMIGRANTES".
O sociólogo americano lembrou em seu discurso a importância de lembrar que "todos nós somos descendentes de imigrantes" e que os únicos nativos que restaram na Terra estão no sudeste da África.
"Pode-se afirmar que sim, sim, somos nativos, mas em outras partes do mundo", observou, enfatizando a necessidade de se ter isso em mente para promover as políticas atuais. "Acho que a grande maioria da população dos EUA reconhece essa realidade", disse ele, lamentando que Trump queira "devolver" os Estados Unidos aos anos 1950, 1960, quando era a "nação mais branca que já vimos".
Massey acrescentou que, de acordo com as pesquisas nos EUA, 60% da população é a favor de uma reforma da política de imigração em vez de deportações, e está experimentando uma queda geral na popularidade de Trump por causa dessas medidas.
A ESPANHA ESTÁ "PAGANDO A DÍVIDA DA COLONIZAÇÃO".
Ao longo do diálogo com Van den Broek, Massey também se referiu à política migratória da Espanha, que ele considera "muito melhor" do que a americana.
Atualmente, disse ele, a Espanha está "pagando a dívida histórica" que tem com a América Latina pela colonização, recebendo refugiados e pessoas em busca de ajuda.
Da mesma forma, acrescentou, a América Latina também foi "um alvo de emigração para os espanhóis pobres" na década de 1950, especialmente na Venezuela. Agora, muitos desses emigrantes e seus descendentes estão retornando à Espanha, assim como muitos outros sem raízes no país.
Com essa realidade sobre a mesa, Massey enfatizou que a Espanha "está aceitando-os e, em vez de tentar eliminá-los, está legalizando-os". "Eles estão servindo bem aos interesses da Espanha e a Espanha está pagando a dívida histórica que tem com as Américas, beneficiando ambos os lados da migração", disse ele. Esse modelo seria "melhor" para os EUA do que "bloquear" a entrada de imigrantes: "Seria muito melhor admiti-los e aproveitar a chegada de tantas pessoas dispostas a trabalhar e que estão fugindo de uma situação terrível na Venezuela".
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