Europa Press/Contacto/Guido Calamosca
MADRID, 20 jul. (EUROPA PRESS) -
Dois policiais da delegacia de Pontevecchio, em Bolonha, e quatro profissionais de saúde do serviço de ambulâncias estão sendo investigados pela morte do marroquino Abderrahim Fakir, que faleceu no domingo após ter sido amarrado pelos policiais.
O Ministério Público de Bolonha abriu uma investigação por homicídio culposo que “levará em conta todos os fatos, que vão além do vídeo que circulou na internet e que também está em posse deste órgão”. Assim, também contam com a gravação das câmeras corporais dos dois policiais envolvidos.
“Toda a investigação será conduzida com as garantias legais pertinentes, começando pelos exames forenses para se obter rapidamente uma reconstrução exaustiva dos fatos, conforme exige a legislação vigente”, acrescentou.
Fakir, um marroquino de 42 anos com permissão de residência, faleceu após ser atingido por spray de pimenta e imobilizado por policiais em plena rua, conforme se depreende do vídeo divulgado após o incidente, no qual são captados os gritos e gemidos do homem enquanto ele estava imobilizado e com a cabeça pressionada contra o asfalto. “Chega!” ou “Socorro” são algumas das palavras que podem ser ouvidas.
A autópsia do corpo será realizada por uma equipe de especialistas que tentará determinar a causa e o momento da morte, sob a coordenação do procurador Paolo Guido e do promotor Domenico Ambrosino. Um exame preliminar revela lesões no rosto e em outras partes da cabeça.
Além disso, o Ministério Público solicitou os registros de chamadas dos vizinhos que acionaram a polícia, as comunicações por rádio entre a delegacia e as viaturas que atenderam à ocorrência, bem como a comunicação entre a central de operações de emergência e a equipe médica enviada.
A polícia informou que se tratava de um indivíduo “em crise psiquiátrica” e que a intervenção ocorreu em resposta a uma chamada de um cidadão sobre uma pessoa “agitada”.
Também houve críticas à passividade dos quatro profissionais de saúde presentes. A própria Cruz Vermelha respondeu que “é impensável que pudessem intervir quando havia uma pessoa que, naquele momento, estava sob custódia das forças de segurança”. “Interviemos quando nos foi permitido”, acrescentou.
No âmbito político, o prefeito de Bolonha, Matteo Lepore (Partido Democrático, esquerda), e o presidente da região de Emilia-Romagna, Michele De Pascale (também do Partido Democrático), pediram esclarecimentos sobre o ocorrido, enquanto, da direita, partidos como a Liga ou Irmãos da Itália defenderam a polícia.
“Estou sempre do lado da polícia. Estamos aguardando para entender o que aconteceu. Os policiais usavam câmeras corporais e há gravações. Vamos descobrir”, afirmou o vice-primeiro-ministro Matteo Salvini.
A Associação Nacional de Policiais expressou suas “condolências” pela morte de Fakir. “A gravidade do ocorrido exige responsabilidade e respeito pela verdade dos fatos”, afirmou a associação, que pede que se “evitem julgamentos sumários e conclusões prematuras”.
No local da morte, apareceram buquês de flores e pichações com slogans como “O Estado mata”. A irmã do falecido advertiu que “não terei paz até que meu irmão seja vingado”. “Ele estava amarrado e agora está morto. Eles o atacaram e espancaram. Há testemunhas”, acrescentou. Um amigo de Fakir destacou que ele sofria de asma.
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