VALÊNCIA, 7 abr. (EUROPA PRESS) -
Agentes da Polícia Nacional desmantelaram uma oficina têxtil clandestina localizada em uma localidade da região valenciana de Camp de Túria, em uma operação na qual detiveram dois homens, de 44 e 52 anos, que supostamente exploravam cidadãos em situação irregular, obrigando-os a trabalhar jornadas de mais de 60 horas semanais por cerca de 1.000 euros mensais.
Os detidos são considerados suspeitos de um crime contra os direitos dos trabalhadores e a um deles também são imputados os crimes de tráfico ilegal de mão de obra e violação de medida cautelar, conforme informou a Polícia em um comunicado. Até 26 pessoas supostamente trabalhavam na oficina sem contrato nem registro na Previdência Social, das quais 24 também se encontravam em situação irregular na Espanha.
A investigação policial, conduzida por agentes da Delegacia Local de Xirivella-Aldaia-Alaquàs, teve início na sequência de uma inspeção conjunta da Polícia Nacional e da Inspeção do Trabalho e da Previdência Social em outubro de 2025, em um imóvel localizado em um município de Camp de Túria, onde havia suspeita de que poderia estar ocorrendo uma atividade têxtil irregular.
Durante a inspeção, os agentes verificaram que havia sido instalada no local uma oficina têxtil que operava sem licença de atividade, em cujo interior trabalhavam 26 pessoas confeccionando peças de vestuário para diversas empresas do setor, sem contrato nem registro na Previdência Social. Além disso, dois dos funcionários moravam em um dos cômodos do imóvel, em “condições insalubres”, e supostamente eram utilizados pelo principal investigado para garantir o funcionamento da oficina.
Os agentes descobriram que os funcionários em situação irregular realizavam longas jornadas de trabalho que, em algumas ocasiões, chegavam a ultrapassar as 60 horas semanais, recebendo em troca remunerações de cerca de 1.000 euros mensais, tudo isso à margem da legislação trabalhista vigente.
Além disso, durante a inspeção, localizaram uma van utilizada para transportar diariamente os trabalhadores da região metropolitana de Valência até a oficina, bem como para o transporte das peças confeccionadas às empresas que subcontratavam a produção têxtil.
ESTRUTURA SOCIETÁRIA
Os investigadores conseguiram determinar que a atividade da oficina era realizada por meio de uma empresa comercial que emitia faturas para diversas firmas do setor, a fim de conferir aparência de legalidade à atividade que desenvolviam. Além disso, detectaram a existência de uma estrutura societária ligada à atividade criminosa, na qual uma segunda empresa figurava como matriz daquela que realmente explorava a oficina.
Os policiais também constataram, após a inspeção, que alguns bens ligados à atividade criminosa estavam em nome de pessoas do círculo familiar do principal investigado, com o objetivo de dificultar a identificação do verdadeiro proprietário.
Além disso, a partir da análise dos movimentos bancários, detectaram receitas superiores a 300.000 euros em apenas oito meses de atividade, provenientes das empresas clientes.
VIOLAÇÃO DO LACRE
Após a inspeção, a oficina foi lacrada; no entanto, os agentes detectaram indícios de que a atividade continuava sendo desenvolvida no mesmo local, pelo que foi realizada uma nova inspeção em fevereiro deste ano, na qual se constatou que o funcionamento havia sido retomado e que o principal investigado continuava gerenciando pedidos de produção no local.
Após o término da investigação policial, os agentes prenderam dois homens supostamente envolvidos na gestão da estrutura empresarial utilizada para a exploração da oficina têxtil, aos quais é imputado um crime contra os direitos dos trabalhadores. O principal investigado é também considerado suspeito dos crimes de tráfico ilegal de mão de obra e violação de medida cautelar.
Este último foi levado à justiça, enquanto o outro detido foi posto em liberdade após prestar depoimento, uma vez advertido da obrigação legal de comparecer perante a autoridade judicial quando for intimado.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático