Europa Press/Contacto/Sergei Savostyanov
MADRID 25 mar. (EUROPA PRESS) -
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, apontou nesta quarta-feira para possíveis negociações entre os Estados Unidos e o Irã em Islamabad, capital do Paquistão, “neste fim de semana”, uma vez que o presidente norte-americano, Donald Trump, mudou o tom em relação à guerra e ressaltou que há contatos para um acordo iminente, enquanto Teerã negou as conversas.
“Acredito que possa haver conversas neste fim de semana em Islamabad, no Paquistão. Imagino que serão mais abrangentes e não se referirão apenas à energia nuclear, motivo do início do conflito. Desta vez, também serão abordados os mísseis, as milícias aliadas da República Islâmica e as garantias de segurança para o Irã”, indicou o diplomata argentino em entrevista ao jornal italiano “Corriere della Sera”.
O chefe da AIEA indicou que sua equipe está “disponível” para participar das possíveis conversas, ressaltando que a agência atua como “interlocutora imparcial e de paz”.
Grossi, nesse sentido, indicou que as mais de três semanas de guerra podem ser um “fator novo” para que Washington e Teerã aproximem suas posições após as negociações fracassadas de um mês atrás, quando os Estados Unidos interromperam abruptamente o processo diplomático com o ataque surpresa conjunto com Israel contra o Irã.
“Três semanas de guerra deixaram marcas. Causaram muitos danos, atingiram a infraestrutura econômica, energética e produtiva iraniana. Isso fará com que a conversa seja um pouco diferente”, avaliou, apontando que as conversas não serão sobre “acordos parciais”, mas “algo mais contundente”, em que é de se imaginar que os Estados Unidos pedirão “enriquecimento zero”.
Grossi, que ressaltou que os ataques não causaram danos “decisivos” às instalações nucleares do Irã, indicou que um acordo sobre a questão nuclear “é possível”, ao mesmo tempo em que sugeriu “uma suspensão temporária”.
“Existem planos diplomáticos alternativos que permitiriam tanto uma solução que estabeleça que, por enquanto, não haverá mais enriquecimento porque a situação política, militar e de confiança não o permite; quanto, em princípio, reavaliar a questão dentro de cinco ou dez anos”, resumiu.
Sobre o processo de negociação em andamento quando Washington e Tel Aviv lançaram a ofensiva militar no último dia 28 de fevereiro, Grossi não quis especificar se as partes estavam perto de fechar um acordo. “Minha impressão era de que ainda estavam conversando. O ministro das Relações Exteriores de Omã fez um excelente trabalho de mediação. Mas, em nível técnico, naquela quinta-feira à noite não tínhamos chegado a um acordo”, indicou.
A AIEA deixou de ter presença no Irã desde o início da guerra, detalhou Grossi, que reiterou que os níveis de enriquecimento de urânio por parte de Teerã são “preocupantes”.
“60% é um nível quase militar. Os iranianos dizem que quem tem direito e pode fazê-lo, e isso não se pode negar, mas trata-se de um desenvolvimento preocupante. Nenhum país do mundo que não possua armas nucleares enriquece a esse nível”, explicou, lamentando que o fim do acordo nuclear iraniano de 2015, conhecido como Plano de Ação Integral Conjunto, seja “em certa medida” “a razão dessas guerras”.
Essas declarações surgem no momento em que as autoridades do Paquistão se ofereceram para “sediar” “conversas significativas” entre os Estados Unidos e o Irã para pôr fim à guerra desencadeada no Oriente Médio. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, indicou que poderia facilitar conversas “conclusivas que permitam uma solução integral para o conflito em curso”.
Trump mudou de rumo no conflito com o Irã e agora se mostra aberto a relançar um processo de negociação, após revelar “conversas muito sólidas” com o Irã nos últimos dias e sublinhar que há um consenso “importante” sobre os pontos para um eventual acordo com Teerã que ponha fim à guerra e que passaria pela renúncia explícita da República Islâmica ao armamento nuclear.
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