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MADRID 16 fev. (EUROPA PRESS) - A Fuerza Popular e a Renovación Popular, duas das principais forças parlamentares da direita peruana, entraram em conflito nas últimas horas devido à situação política do presidente do país, José Jerí, às vésperas da sessão extraordinária do Congresso para debater sete moções de censura contra ele.
A recusa da Fuerza Popular — a principal força do Congresso — em apoiar essas iniciativas provocou uma enxurrada de críticas da Renovación Popular, que acusou o partido de Keiko Fujimori de endossar a corrupção.
“Eles criaram o Fuji Jerismo e é evidente que este governo é o da Fuerza Popular”, criticou, em um jogo de palavras, o partido liderado por Rafael López Aliaga, ex-prefeito de Lima e candidato às eleições de 12 de abril.
O Renovación Popular confirmou que seus parlamentares votarão a favor da moção de censura a Jerí por sua incapacidade de conter a insegurança que assola o país, bem como pelas redes clientelares que ele teceu dentro do Congresso, com alusões a possíveis casos de prostituição.
Anteriormente, o Fuerza Popular havia recriminado aqueles que dizem representar a “renovação” por terem se “tornado fantoches dos caviares”, como são conhecidas no Peru certas formações da esquerda, e por contribuírem para a “instabilidade” do país a dois meses das eleições.
“Independentemente da decisão que vocês já tomaram e de quem designarem, não seremos cúmplices daqueles que buscam desestabilizar o país por motivos políticos”, disse Fujimori em um vídeo publicado em suas redes sociais. SETE MOÇÕES DE CENSURA
A instável situação política do Peru — caso alguma das sete moções de censura seja aprovada, o país teria seu oitavo presidente em uma década, às vésperas de um nono após as eleições de abril — continua apenas quatro meses depois de Jerí receber a faixa presidencial.
Depois que a muito controversa Dina Boluarte foi destituída pelo Congresso após um mandato marcado pela morte de manifestantes em protestos, vários casos de corrupção e uma das piores crises de segurança da história recente do Peru, Jerí assumiu o cargo com boa aceitação até que logo vieram à tona uma série de reuniões irregulares com empresários chineses sob suspeita.
Em uma delas, o presidente compareceu a um restaurante encapuzado, o que acabou motivando uma investigação por suposto tráfico de influência e patrocínio ilegal. Da mesma forma, a imprensa também divulgou os contratos com o Estado que cinco jovens mulheres conseguiram após visitarem o Palácio do Governo.
Todos os partidos do arco parlamentar aderiram a essas iniciativas, exceto Somos Perú, a formação de Jerí, e Fuerza Popular. Caso alguma delas obtenha pelo menos 66 votos a favor, ele deixaria o cargo e o Congresso elegeria seu novo titular, que assumiria automaticamente a Presidência do país até 28 de julho, quando transferiria o poder ao vencedor das eleições de abril.
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