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MADRID 7 maio (EUROPA PRESS) -
O ministro do Interior e da Justiça da Venezuela, Diosdado Cabello, que também lidera a secretaria-geral do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), no poder, reiterou nesta quarta-feira que em seu país “não há presos políticos”.
Ele fez isso no programa de televisão “Con el mazo dando”, do qual é apresentador. Nele, após reiterar que na Venezuela “não há presos políticos”, afirmação que já havia feito em ocasiões anteriores, pediu à oposição “coerência” em relação à Lei de Anistia, alegando que, embora a critiquem, também pedem que ela os proteja.
“Eles estão reclamando dos narcotraficantes e têm razão, porque aqui já dissemos que parte do dinheiro para financiar conspirações contra a Venezuela vem do narcotráfico. É por isso que estão reclamando, um pouco como prefeitos vagabundos que emprestaram o território para o tráfico de drogas e para assassinos”, considerou Cabello durante a transmissão.
Essas palavras do líder venezuelano foram proferidas no mesmo dia em que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) reivindicou a “plena liberdade de todas as pessoas presas por motivos políticos”, exigindo, por sua vez, de Caracas transparência e uma visita aos centros de detenção “com acesso irrestrito”.
"A privação arbitrária da liberdade por motivos políticos é uma das manifestações mais graves do colapso do Estado de Direito", advertiu o presidente da CIDH, Edgar Stuardo Ralón Orellana, em um comunicado lido pela secretária executiva do órgão, Tania Reneaum, perante o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), no qual lamentou que na Venezuela “isso não seja um excesso isolado”, mas “uma política de Estado, sustentada e deliberada”.
A esse respeito, a Comissão estimou em 454 o número de pessoas que, até abril deste ano, “continuariam detidas por motivos políticos”, sendo 44 delas mulheres, um adolescente, 286 civis e 186 militares. Da mesma forma, a CIDH fez referência à Lei de Anistia mencionada pelo próprio Cabello, na medida em que o dirigente do órgão tomou “nota” dessa norma que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou no final de abril que estava chegando ao fim.
Foi a própria mandatária interina quem estimou em mais de 8.600 o número de pessoas que teriam se beneficiado da anistia. No entanto, o comissário destacou que “a sociedade civil registra apenas 186 com liberdade total, enquanto 554 permanecem sob medidas cautelares”, como “proibição de saída do país, comparecimento periódico, proibição de se manifestar ou de falar com a imprensa”.
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