ANCARA 8 jul. (do correspondente especial da EUROPA PRESS, Iván Zambrano) -
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, reafirmou que a Groenlândia “não está à venda” e que seu país está disposto a “defender cada centímetro da OTAN”, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar que a ilha do Ártico pertence a Washington.
Questionada em declarações à imprensa antes do início do segundo dia da cúpula da Aliança, realizada em Ancara, a primeira-ministra dinamarquesa lamentou que a posição dos Estados Unidos “seja muito clara”, mas que a da Dinamarca também é “tão clara quanto sempre foi”: “A Groenlândia, é claro, não está à venda”.
“Esperamos que todos, incluindo todos os aliados, respeitem o direito do povo groenlandês à autodeterminação, e somos um Estado soberano e precisamos que todos respeitem nossa integridade territorial e nossa soberania”, afirmou, para em seguida defender que seu país está disposto “a defender cada centímetro da OTAN”, incluindo a Groenlândia.
Frederiksen argumentou que uma das razões pelas quais a OTAN foi criada é “que, se algo acontecer a um de nós, todos devemos apoiar-nos mutuamente”. “Ou seja, o Artigo 5º é o nosso seguro. Isso vale para o flanco oriental neste momento, com a guerra híbrida proveniente da Rússia. Vale para os Estados Unidos quando foram atacados no 11 de setembro. E vale da mesma forma para a Groenlândia”, acrescentou.
Questionada sobre se a Dinamarca defenderia a ilha do Ártico mesmo contra um ataque de um Estado-membro da Aliança, como os Estados Unidos, a primeira-ministra dinamarquesa afirmou que “é claro” que defenderá “o Reino da Dinamarca”, embora tenha admitido que não poderia proteger seu povo “sem a OTAN”.
No entanto, ela alertou que “o mesmo vale para os Estados Unidos”, já que é “graças à OTAN” que seus povos, “em ambos os lados do Atlântico, podem estar seguros”. “E isso continuará sendo assim no futuro”, concluiu.
As declarações da primeira-ministra dinamarquesa ocorreram um dia depois de Trump ter repetido sua reivindicação de anexar a Groenlândia, alegando que a ilha “está cercada por navios chineses e russos” e que a Dinamarca não lhe dá atenção suficiente.
“A Groenlândia é muito importante para os Estados Unidos. Está cercada por navios chineses e russos. A Groenlândia era, e continua sendo, algo que deveria estar sob o controle dos Estados Unidos, não da Dinamarca”, afirmou ele em uma coletiva de imprensa ao chegar a Ancara, capital da Turquia, que sedia desde esta terça-feira uma cúpula da OTAN.
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