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MADRID, 10 abr. (EUROPA PRESS) -
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta quinta-feira não ter intenção de renunciar ao cargo que ocupa desde 2019, após substituir seu antecessor no cargo, Raúl Castro, ao mesmo tempo em que ressaltou que os dirigentes de seu país “não são escolhidos” pelo governo dos Estados Unidos.
"Renunciar não faz parte do nosso vocabulário", garantiu o mandatário caribenho em entrevista à rede NBC, na qual acrescentou que é o povo cubano quem deve determinar se ele é "incapaz" ou não está "à altura" do cargo e, portanto, quem deverá decidir se ele deve continuar à frente do país ou não.
Em seguida, após sublinhar que os dirigentes cubanos não chegam ao cargo por representarem “uma elite do poder”, o chefe do Executivo de Havana insistiu que “é o povo que elege”, apesar de, lamentou, “haver uma matriz que tenta ignorar isso”.
“Temos um sistema, inclusive eleitoral, que se baseia totalmente na participação popular”, acrescentou ele, para em seguida ressaltar que seu país é um Estado “soberano”, “livre”, “determinado” e que não se submete a “nenhuma imposição do Governo dos Estados Unidos”.
Na mesma entrevista, Díaz-Canel considerou que a Casa Branca, à qual ele criticou por uma “política hostil” contra Cuba, não só “não tem moral para exigir nada” de Havana, mas também não tem “para dizer que está preocupada com a situação do povo cubano”.
Em seguida, defendeu que ambos os países se concentrem no “diálogo” sem “condicionar” nem “exigir mudanças” no sistema da ilha, a fim de sentarem-se à mesa de negociações para “evitar o confronto e ter um futuro” para ambos.
VÍTIMA DE UM “CASTIGO COLETIVO PROLONGADO”
Nesta mesma quinta-feira, o presidente publicou uma mensagem em suas redes sociais, na qual condenou os obstáculos impostos pela Casa Branca para impedir a entrada de petróleo na ilha nos últimos meses, algo que condenou Havana a um estrangulamento energético imposto por Washington para pressionar as autoridades cubanas.
“Cuba é vítima de uma punição coletiva prolongada que pretende esmagar seu povo com fome, doenças e graves carências de insumos básicos”, lamentou Díaz-Canel, após relembrar os “65 anos da guerra econômica, comercial e financeira mais severa e prolongada”.
Nesse sentido, o líder argumentou que, ao impedir a chegada de combustível a Cuba, “o governo dos Estados Unidos viola de forma flagrante, deliberada e injustificada os direitos humanos de todo um povo, bem como a liberdade de comércio de países terceiros”.
Essa situação, segundo lamentou, provocou na ilha “prolongados cortes diários de energia elétrica, escassez de água e gás liquefeito”, bem como “paralisou” serviços médicos que requerem estabilidade energética.
Além disso, as escolas e universidades tiveram que “reajustar” seus programas de estudo e recorrer a modalidades semipresenciais para garantir a continuidade do processo de ensino, enquanto o transporte público e privado se encontra “praticamente paralisado pela falta de combustível”.
Após defender a adoção de um “instrumento internacional juridicamente vinculativo” que “exija o levantamento imediato dessas medidas e a prestação de contas dos responsáveis”, o chefe do Executivo caribenho assegurou que Cuba “confia e aposta no multilateralismo e na diplomacia, como as únicas ferramentas eficazes para a manutenção da paz, a convivência civilizada e o desenvolvimento sustentável”.
Por fim, garantindo que o povo cubano “não esquecerá aqueles que, diante da opressão e da chantagem, se colocaram do lado da Justiça e levantaram suas mãos e vozes sem medo para defender o direito deste povo heróico de viver e escolher soberanamente seu destino”, como ocorreu com o envio de um petroleiro russo com 100.000 toneladas de combustível a bordo do navio “Anatoli Kolodin”, enviado pelas autoridades do Kremlin com o objetivo de romper o bloqueio ao país.
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