Publicado 25/05/2026 02:41

Detentos tomam uma prisão no oeste da Venezuela, onde denunciam supostos maus-tratos, segundo uma ONG

Presos protestando no Centro de Detenção Judicial de Barinas (Injuba), na Venezuela
OBSERVATORIO VENEZOLANO DE PRISIONES EN X

MADRID 25 maio (EUROPA PRESS) -

A população carcerária do Internado Judicial de Barinas (Injuba) tomou, neste domingo, as instalações dessa prisão localizada no oeste da Venezuela, exigindo a destituição do ministro de Serviços Penitenciários do país, Julio García Zerpa, e do diretor da mesma prisão, Elvis Macuare Guerrero, a quem atribuem supostos crimes de corrupção e maus-tratos contra os detentos.

"Os detentos denunciaram (...) que, há uma semana, Elvis Macuare Guerrero foi nomeado diretor do Injuba e que, desde então, teriam sido submetidos a revistas violentas, durante as quais seus pertences são destruídos dentro das celas”, informou a ONG Observatório Venezuelano de Prisões (OVP) em uma mensagem publicada nas redes sociais, na qual acrescentou que os detentos alojados no local afirmam ter sido vítimas de “espancamentos e torturas”.

Em seguida, a mesma organização destacou que “mais de 120 detentos permanecem punidos em uma cela de isolamento”, bem como que os presos afirmam que o diretor “estaria disparando contra as torres da prisão”, algo que, alertou a ONG, “poderia desencadear uma tragédia”.

De acordo com um vídeo divulgado por esse observatório, no qual se vê uma detenta expondo suas reivindicações, 112 mulheres e 1.200 homens teriam aderido a essa greve à qual, apesar de terem garantido que é do tipo “pacífica”, "o pessoal de segurança, acompanhado pelo novo diretor", teria supostamente respondido com tiros "contra os detentos", deixando "alguns feridos".

Dias antes, o OVP criticou a “falta de resposta oficial” dos responsáveis por essa prisão às visitas agendadas dos familiares, que permaneciam às portas do Injuba sob a chuva, percebendo “movimentos incomuns de funcionários dentro do centro”.

“Enquanto nas imediações do recinto penitenciário se encontram mães, pais, esposas e parentes dos detentos, que estão desesperados por não terem nenhuma informação, apenas ouvem alguns estrondos e observam a fumaça causada pelos detentos que vem das torres. Temem pela integridade física e pela vida de seus entes queridos. Eles pedem que seus direitos humanos sejam respeitados”, indicou a organização, precisando, por sua vez, que os presos queimaram colchões em sinal de protesto e estão no telhado das torres da prisão.

Em outro dos vídeos publicados pela ONG, também são mostrados os corredores da prisão, repletos de objetos jogados no chão, enquanto se ouve um dos detentos clamar que o novo diretor “desde que chegou, o que tem feito é maltratar” os presos. “Nos fazem dormir no chão, tiraram-nos o esporte, o estudo e as remissões... O objetivo disso é tirar tudo isso de nós. Não queremos isso!”, insistiram.

Nesse contexto, a OVP afirmou ter denunciado anteriormente práticas como a suspensão de visitas, transferências “sem consulta” e isolamentos “prolongados” dentro do recinto prisional.

Segundo alertou a organização, a gestão de García Zerpa “tem se caracterizado por uma tentativa de projetar uma imagem de humanização e normalidade, o que é totalmente contrário à realidade vivida em cada um dos centros penitenciários da Venezuela”, algo que exemplificou referindo-se a como, entre abril e maio, ocorreu um motim no Centro Penitenciário Yare III —onde cinco pessoas perderam a vida—, bem como foi divulgada a morte do preso político Víctor Quero Navas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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