Publicado 30/09/2026 08:08

O despejo de Daniel, o físico da UV, está suspenso há dez dias: “Se ninguém vier aqui hoje, vão me expulsar”

O despejo de Daniel, físico e pesquisador da UV, previsto para esta quarta-feira, foi suspenso por dez dias
ROBER SOLSONA/EUROPA PRESS

VALÊNCIA 30 set. (EUROPA PRESS) -

O despejo de Daniel, o físico e pesquisador da Universidade de Valência que estava previsto para esta quarta-feira, foi suspenso por dez dias, o que traz “um raio de esperança” e demonstra o efeito da “pressão social”. “Se hoje ninguém vier aqui, eles vão me expulsar. Sou eternamente grato a todas essas pessoas e acredito que esse é o caminho para que as coisas mudem neste país”, afirmou.

Foi o que Daniel declarou à imprensa em frente ao imóvel, onde, logo pela manhã, se reuniu um numeroso grupo de pessoas convocadas pelo Sindicato da Moradia de Valência para tentar impedir o despejo e exigir que o pesquisador possa manter sua moradia, onde mora de aluguel desde 2009.

Esse coletivo ressalta que conta com duas sentenças favoráveis sobre seu direito de comprar a casa e a validade de seu contrato de aluguel, mas, apesar do pagamento contínuo do aluguel, uma ação movida pela Coral Homes S.L. e pela atual proprietária resultou em uma decisão judicial que determina sua expulsão e, além disso, exige o pagamento de quase 36.000 euros.

“HÁ ESPERANÇA”

Daniel explicou que analisará com sua advogada a possibilidade de “fazer algo ou entrar com um recurso” durante esses dez dias. De qualquer forma, ele ressaltou que se trata de questões jurídicas que estão além de sua compreensão, mas “pelo menos são 10 dias, e há esperança”.

O pesquisador — que confessou estar “sobrecarregado” com a situação, já que é uma pessoa muito tímida — ressaltou que o protesto de hoje já é importante por si só, pois “deixa registrado que isso não é justo”.

“Infelizmente, há muitas pessoas que não podem lutar dessa maneira. É preciso continuar protestando porque isso é injusto. No meu caso, não sei se haverá uma solução ou não, mas espero que as coisas mudem para que ninguém mais tenha que passar por isso, para que ninguém mais que tenha um contrato legal de aluguel com opção de compra tenha que suportar que um fundo predatório acabe expulsando-o de sua casa. Vamos continuar lutando”, proclamou.

Daniel destacou que o que ele busca não é um adiamento temporário, mas sim a suspensão definitiva do despejo; porém, por enquanto, “ele foi adiado um pouco e vamos ver o que minha advogada pode fazer”. “Esses dez dias são um raio de esperança porque significam um pouco mais de tempo”, reiterou.

EXPLORAR “TODAS AS VIAS JUDICIAIS”

Nesse sentido, o Sindicat d'Habitatge comemorou a suspensão e informou que explorará “todas as vias judiciais” ao seu alcance, embora “estejam cientes de que essas vias, no fim das contas, sempre vão favorecer os interesses do proprietário e seu direito de especular com a moradia de Daniel”.

“Vamos tentar fazer de tudo e, daqui a 10 dias, estaremos aqui novamente para denunciar o caso e impedir a ação mais uma vez”, proclamaram, enquanto os participantes da manifestação entoavam: “Viva a luta da classe trabalhadora” e “Chega, não mais despejos”.

Esteban Arellano, porta-voz do Sindicat d’Habitatge, afirmou que neste dia se viveu “mais uma demonstração de que os sindicatos funcionam e de que precisamos nos organizar”. Arellano explicou que o recurso para suspender o despejo de Daniel foi indeferido, mas que o processo foi adiado por dez dias, período em que “temos que nos mobilizar ao máximo no âmbito sindical para esgotar de uma vez por todas as vias judiciais que ainda nos restam”.

A esse respeito, anunciam que voltarão a se reunir para “fazer com que este caso ganhe visibilidade” e tentar novamente impedir o despejo, já que afirmam que foi a ação dos militantes que se reuniram em frente à casa de Daniel que conseguiu suspendê-lo.

“Estamos em contato com a advogada de Daniel para interpor os recursos necessários, analisar uma estratégia — pois este caso vai se prolongar — e ganhar o máximo de tempo possível para que tenhamos tempo suficiente”, afirma. Na opinião dele, o “grande sucesso” do protesto foi “demonstrar que podemos impedi-lo apesar de tudo, mesmo que os tribunais emitam ordem de despejo e, acima de tudo, mostrar que a organização sindical funciona e, além disso, é mais necessária do que nunca”.

“Estaremos aqui daqui a dez dias e não vamos parar até impedir o despejo de Daniel, de Maricarmen e dos 44 que ocorrem todos os dias na Espanha”, prometem os representantes do sindicato, que criticam o fato de que, em sete anos do “governo mais progressista da história”, ainda “não se ousaram tocar na raiz do problema, que é a mercantilização da moradia, de nossas vidas”.

APOIO DOS COLEGAS

Também compareceram à manifestação os coordenadores do grupo de pesquisa do IFIC, onde Daniel desenvolve sua atividade. Um deles, Benito Gimeno Martínez, comentou que foram expressar seu apoio a Dani, a quem conhece desde que ele era seu aluno, aos 21 anos, e até hoje, quando ele tem cerca de 35.

“Ele fez o doutorado comigo, escreveu uma tese extraordinária e muito brilhante, trabalhando com tecnologia para satélites. Recebeu o prêmio extraordinário de doutorado e depois continuou trabalhando no grupo. E hoje nos vemos assim”, lamentou.

Na mesma linha, Daniel Esperante Pereira destacou que a crise imobiliária é um fenômeno global e, de fato, há pessoas que estão em situação ainda pior por não terem uma solução habitacional.

“Outras pessoas estão certamente em situação muito pior, mas nenhum caso é bom. Todos sabemos que qualquer pessoa que more de aluguel está exposta a situações como essa. Ele começou alugando com um contrato que previa o direito de compra e, ao longo do tempo, parece que, em algum processo, esse direito foi perdido. Parece que foi isso que a juíza determinou. Nós não somos juízes, somos cientistas e talvez interpretemos as normas de outra maneira”, acrescentou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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